90
Com uma repentina aparição após sua última era que marcou seu retorno pós-reset, Mushroom lança seu quarto álbum de estúdio intitulado “Darkside”. Conceitualmente, o trabalho é voltado a colocar em pauta diversas questões sobre a modernidade, desde problemáticas políticas a solidão e escapismo na vida urbana, ambientado em tons de uma “cidade obscura”. É até um pouco difícil contemplar todos os aspectos abordados no trabalho mas ao mesmo tempo muito interessante pensar como a artista consegue vinculá-los de uma maneira bastante coesa, é de maneira nenhuma um álbum repetitivo e ao mesmo tempo bastante consistente o modo como ela discursa sobre o mundo contemporâneo, seus moldes de relação e poder, de uma forma clara mas sem que nesse percurso se torne supérflua ou superficial. Somos introduzidos ao trabalho em “Empty Beach”, que conta a trajetória de amadurecimento frente aos desafios da vida adulta, enquanto a seguinte, “The Train to Nowhere” trata-se das exigências do sistema de lucro e como essa cidade então explorava a classe proletária. A partir daí temos o início de uma narrativa paralela, em “Queen of Hearts” a artista explora uma crítica atual contra a sexualização dos corpos femininos, depois somos atraídos para faixas que relatam um conto romântico entre “Used to Call Me Sunflower”, “Mary Jane” e “Kyoto Memory”, sendo as duas últimas mais voltadas para escapismo e retorno ao passado e reflexão sobre o presente. Em “Talking With My Shadow” temos o auge do drama em todo o álbum, é sem dúvidas a faixa mais intensa, funciona como um marco para o próximo do eu lírico no enredo, o despertar para a realidade que se contrapõe a passividade da personagem ao se envolver em movimentos sociais, nos mostrando um final trágico e uma reviravolta surpreendente em “Unknown Painting” no qual ela se torna uma figura ambígua para sua geração, vista como heroína ou mesmo antagonista. Em suma temos versos bem construídos ao longo de todo o álbum, Mushroom domina a composição ao construir versos bastante melódicos mas ao mesmo tempo carregados de sentido e figurações interessantes, nossas faixas favoritas foram “The Train to Nowhere”, “Kyoto Memory” pelo fato de ser carregada de referências e ao mesmo tempo trazendo ao disco um aspecto de calmaria em meio ao caótico ambiente projetado, e por fim, a melhor ao nosso ver “Talking With My Shadow”. Visualmente temos um trabalho polido, com a produção de mesma autoria, Mushroom consegue nos ambientar ao projeto por ela então proposto, não apenas no encarte mas ao adentrar as páginas das faixas onde temos capas direcionadas ao conteúdo das canções em sua maioria, é notável o cuidado ao minimalismo feito pela artista aqui. No mais é moderno e gostamos sobretudo de como ela trabalha o desfecho, o quadro final fazendo uma intersecção com a capa do trabalho que já havia nos sido anunciado antes funciona como um ponto final para que o disco se amarre em uma história completa e sem furos. Com o trabalho mais completo do ano, mas que não se contradiz em nenhum momento, acreditamos que a artista explorou horizontes mesmo correndo riscos de até onde poderia ir, contudo, mesmo assim mostrou suas habilidades ao conseguir nos apresentá-lo com toda a magnitude aqui presente e esperamos que a mesma seja reconhecida por isso. Composição: 26 Criatividade: 17 Coesão: 24 Visual: 23

73
Com um conceito interessante apresentado e faixas instigantes, Mushroom lança seu quarto álbum de estúdio intitulado “Darkside”. O álbum promete contar uma visão de uma metrópole onde as pessoas que ali vivem, estão sempre neste ‘lado obscuro’ tentando encontrar uma forma de vida melhor, em meio a tantos problemas em meio a um holocausto desta sociedade inacabada. O conceito é interessante, mas infelizmente, não é bem executado. Na segunda metade do álbum, as músicas finalmente parecem se encaixar com a ideia apresentada, mas antes disso, tudo parece arrastado ou desconexo com o conceito. Apesar disso, não há nenhuma música realmente ruim, todas funcionam muito bem de forma isolada, destaque a “Used to Call Me the Sunflower”, que apesar de desconexa, traz um dos versos mais belos do trabalho: ‘Eu era a filha da primavera; Você costumava me chamar de girassol de Van Gogh’. Os pontos altos de “Darkside” se dão por “Talking With My Shadow”, “The Train to Nowhere” e “Queen of Hearts” que são ótimas faixas isoladas, mas diferente de UTCMTF, funcionam bem dentro do produto apresentado. O maior erro talvez seja “Mary Jane”, que apesar de adentrar ao conceito apresentado, parece forçada, com referências desnecessárias e que não fazem sentido dentro da música. É uma faixa interessante e com muito potencial, mas infelizmente não teve o devido aprimoramento que merecia. Apesar disto, não é uma música de todo ruim, e com certeza será uma das preferidas dos fãs, visto o apelo fonográfico que a mesma possui. Mushroom também explica no conceito, que o álbum foi escrito após suas experiencias vividas durante sua estadia no Japão, mas isto não acrescenta em nada no conjunto, já que a única música que trata do Japão em si, é a faixa “Kyoto Memory”, que só é apresentada após 5 outras faixas iniciais, e é a única do álbum que fala sobre o Japão. Isso não é necessariamente um erro, visto que o importante é o conteúdo interno do álbum, não a apresentação inicial, mas é algo a se lembrar em futuros trabalhos. Talvez o maior erro de Mushroom seja tentar falar sobre muitas coisas dentro de uma só, algumas faixas parecem ser românticas demais em meio a um conceito totalmente oposto, são boas, mas não conversam com “Darkside” e seu conceito. A melhor parte do álbum é a segunda metade, Mushroom poderia ter optado em retirar algumas da primeira parte e transformado em apenas um EP, onde se encontraria grande êxito, pois as faixas da segunda parte são ótimas e conversam perfeitamente. Apesar destes erros de organização, o álbum não é totalmente ruim, e traz um dos melhores encartes do ano. Com produção da própria Mushroom, é bonito e irá encher os olhos de qualquer um. Não é algo desconexo e combina muito bem com o conceito apresentado. Destaque também ao atentamento de Mushroom por adicionar conteúdos extras na página do trabalho, que, apesar de não fazerem falta, acrescentam bem ao produto final, dando a impressão de que a artista pensou bem nos fãs quando construiu o projeto. Os instrumentais do álbum são bastante interessantes e conversam bem entre si, o álbum está classificado como Pop e Rock, mas também há muita influencias de country americano e um pouco de alternativo. A atmosfera do álbum é interessante e bem centralizada, o maior erro é tentar encaixar assuntos que não deveriam ser encaixados aqui. É um álbum bom, mas há o que melhorar. Esperamos que em um futuro próximo, Mushroom se atente a estes pequenos erros, e melhore cada vez mais, porque o que não falta é potencial. Mushroom é uma artista de alto escalão e não há mais nada para provar a ninguém, porém, é sempre bom se atentar e tentar sempre melhorar e evoluir como artista.

77
Diferente dos seus álbums anteriores, Mushroom mergulhou em um novo universo criado pela mesma para contar uma história imperfeita de escuridão em uma metrópole. Diante o conceito mostrado, é dito que o álbum fala sobre uma mulher onde a sua intenção principal é falar sobre assuntos que os ‘líderes’ da tal metrópole preferem manter em segredo, e dito isso, você cria uma expectativa diferente do que é mostrado em boa parte do álbum. Pode-se ver que, apesar de boas composições, faixas como ‘Queen of Hearts’, ‘Mary Jane’ ‘Kyato Memory’ não tem a mesma pegada coesiva do final do álbum e muito menos com a proposta mais ‘criativa’ do álbum. ‘Empty Beach’ e ‘The Train To Nowhere’ são faixas médias, que tem seu charme porém sentimos a sensação de que falta algo em ambas. ‘Used To Call Me the Sunflower’ é uma música delicada e feroz ao mesmo tempo de certa forma, e os versos fluem um pouco. ‘Talking With My Shadow’ é uma faixa conexa, e a partir daí, podemos ver um pouco do que esperávamos ter sido mostrado desde o início. ‘Break The Amber’ e ‘Clay Army’, juntamente com a anterior, são as faixas que mais se conectam com o conteúdo principal do álbum, com ‘Break The Amber’ sendo a melhor faixa do projeto. Digamos que de certa forma, se o álbum fosse apenas sobre a escuridão interna dentro de uma garota, que apesar de parecer um pouco clichê, se conectaria mais com músicas como ‘Queen of Hearts’, ‘Used To Call Me a Sunflower’, ‘Mary Jane’ e ‘Kyoto Memory’, sendo a última a mais fraca do álbum e um pouco confusa dentro do projeto. Seu visual condiz com tudo que é proposto, é bem trabalhado e é o ponto mais forte do trabalho de Mushroom no ‘Darkside’. Acreditamos que a artista possui um talento para composições, mas acabou se perdendo um pouco na própria história que tentou contar através das músicas, fazendo que ficasse um pouco bagunçado, apesar do seu novo som ter lhe caído muito bem. Avaliando o projeto como um todo, não podemos negar a sua criatividade em tentar trazer algo diferente tanto como em um conceito ou em um visual, mas de certa forma, a cantora tentou criou algo grande baseado em um punhado de músicas que se conectam. Composição: 24 / Coesão: 14 / Visual: 22 / Criatividade: 17