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Após sucessos como ‘Chained To The Rhythym’ e ‘False Happiness’, o novato nipo-australiano Steve Bowie apresenta o seu primeiro Extended Play ‘MOTIFS’, com influências do rock e alternativo num conjunto de seis tracks que discorrem sobre temas de desejo, autoconsciência e religiosidade. Como um projeto para se apresentar a indústria, Steve acertou em cheio, conseguiu fugir de temas comuns para escrever sua própria história recheada de criatividade que mostra seu mundo caótico. Dito pelo cantor que o trabalho representa um /’cenário de assassinato’/ gostaríamos que ele tivesse ido a fundo, para não soar um tanto superficial, apontamos essa falha porque a coesão é algo que deve ser levada em conta quando apresentamos um corpo de trabalho. A faixa ‘Duality’ é responsável pelo pontapé inicial e que é uma surpresa em primeira instancia, a canção traz uma dualidade não só no nome, mas em todo contexto. Pode se direcionar a um relacionamento tóxico, e também a si mesmo – como citado pelo compositor, a temática de autossabotagem é bastante intrigante e Steve consegue exercitar ela com facilidade, é uma canção de fácil aproximação. Com uma canção dupla ‘Messiah/Lost’, arriscado a proposta de trazer duas canções em uma, e nesse caso não conseguimos ver uma relação – mesmo que omissa entre elas, poderia ter sido dividida e recontextualizada para incrementar o projeto, ‘/Você é meu Messias, mas eu não preciso de sua salvação’/ é definitivamente o ponto alto e entra como destaque pelo ótimo desenvolvimento dessa religiosidade com esse tom agressivo. Colocando sua essência em jogo, a caótica ‘Desire’ entra para sucumbir todo o seu desejo de ser agraciado sem remorso algum, levantamos o ponto positivo como uma canção bastante criativa, o lírico não apresenta medo e não se segura em cuspir versos narcisistas e diabólicos, mas que entra em conflito com a faixa seguinte ‘Dance In The Dark’ que gira em 180 ° graus pela carência e necessidade de entendimento, frisamos que não é uma faixa ruim, apenas mal posicionada. Seria interessante se Steve usasse um interlúdio para dividir suas facetas, ou até mesmo ‘Messiah/Lost’ para fazer essa transição de narrativa. ‘False Happiness’ é claramente a canção mais fraca de ‘MOTIFS’, não tem um lírico envolvente como as outras e falha em trazer a originalidade que Steve apresentou com maestria, podendo ser descartada facilmente. ‘Sober’ com certeza se sobressai após a canção anterior, apesar de bem escrita e com um lírico moderno e consciente, parece que ela no final o conceito do projeto está nu, não carrega a essência que Stevie propôs. Gostaríamos que o artista tivesse usado mais rimas, que trazem uma musicalidade as canções e não deixam parecendo textos poéticos. O visual é simples, nada surpreendente além da fonte usada nos títulos e da edição nas fotografias, a semelhança com ‘Eclipse’ de Heccy e trabalhos de Alec Weaver – principalmente pela escrita em baixa opacidade nos fundos são gritantes, mas isso não faz perder completamente o brilho, seria interessante ver toda insanidade que as composições carregam dentro do visual do trabalho. Apesar de deslizes comuns para novatos - como a coesão, Stevie consegue se destacar entre os novatos por apresentar um Extended Play transbordado de criatividade e uma narrativa intrigante e sem remorsos. COMPOSIÇÃO: 22 / CRIATIVIDADE: 25 / COESÃO: 14 / VISUAL: 20

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Em seu primeiro projeto para a indústria musical, Steve Bowie apresenta uma material com letras intensas, com personalidade e um tanto caóticas sobre si mesmo. O conceito do álbum é voltado em suas memórias emocionais e acontecimentos da vida do cantor, e talvez um pouco de ‘suspeitos de assassinato’, e deve-se dizer que em relação ao primeiro tópico, o álbum segue a linha do conceito ao pé da letra, mas talvez a ideia de decidir quem Steve é para você na base de suspeita de assassinatos tenha ficado um pouco deslocado com o conteúdo do álbum; talvez se encaixando apenas com a primeira música. ‘Duality’ dá início ao álbum com uma composição forte, que é possível traçar uma história mentalmente ao decorrer da letra, por a letra parecer tão sincera e despretensiosa. Soa como uma carta aberta, de coração apertado, para si mesmo. A música pode conter duplo sentido, podendo ser vista como uma música de relacionamento ou de descoberta, facilmente pendendo para a primeira opção, mas não deixa de ser uma composição bem trabalhada. ‘Messiah/Lost’ consegue ser melhor que a primeira música, que já é bastante boa, e transmite uma emoção interessante ao ouvir o instrumental e a letra ao mesmo tempo. A música transmite a emoção descrita pelo cantor, como se pudéssemos estar presentes no momento em que a música foi composta e compartilhar da dor. ‘Lost’ completa a música, mesmo sendo de acontecimentos diferentes, dificilmente poderia ser notado como algo a parte, e sim como um complemento na qualidade da música. Já ‘Desire’, em relação as outras, é a faixa mais fraca do projeto. Tem seu proposito dentro do álbum, mas não adiciona muito no conteúdo final. Poderia ser um pouco melhor trabalhada nos seus versos para chegar a altura das anteriores, mesmo não sendo uma música ruim. É apenas uma música que poderia ter sido descartada, então a ideia inicial do cantor poderia ter sido um acerto. ‘Dance in the Dark’ é uma música envolvente, que contém versos bons e versos não tão bons. Como a primeira parte da música, com o instrumental tocando, é bastante cativante e contagiante, mas entra o refrão com versos que poderiam ser mais trabalhados para dar uma incrementada e um UP, mas acaba deixando a desejar pela simplicidade dos versos, assim como no verso 2. ‘False Happiness’ traz novamente o tom emotivo das primeiras faixas, sendo uma das mais intensas do álbum. Apesar de achar que o verso ‘outro’ possa ser descartado, a música soa completa e uma das melhores faixas do projeto. É carregada de emoção e versos sinceros, transmitindo um raio de sensações ao ler sua composição. No final, ‘Sober’ mostra uma reviravolta em relação à música anterior: o cantor está se curando, e está se aceitando; mesmo que ainda tenha problemas consigo mesmo para lidar, é um caminho de esperança. A música relata acontecimentos de forma positiva, diferente de todo o resto do projeto que dá uma perspectiva mais dolorosa, então soa como a faixa perfeita entre as disponíveis para encerrar o projeto na esperança de que Steve esteja bem. O refrão é bem charmoso, quando cita os versos ‘Eu estou bem, e dessa vez não estou mentindo. Ainda tenho feridas, mas não preciso mais me dopar para se sentir bem’. Seu visual é simples e encantador, não contém nenhum toque diferenciado de outros trabalhos já vistos pela indústria, mas também não deixa de cumprir seu papel. É agradável e limpo, fazendo o trabalho ter mais consistência. Steve entregou um projeto que com adição de algumas músicas e talvez tirando outras, poderia ser um bom álbum de estreia e não apenas um EP de introdução para algo maior, visto que o ‘MOTIFS’ tem potencial para ser tal trabalho maior, caso fosse trabalhado atenciosamente. De fato, Steve é um artista novato que tem talentos que não podem passar despercebidos, como sua composição no ponto e capacidade de transmitir sensações mágicas em suas letras. Composição: 30 / Visual: 22 / Coesão: 19 / Criatividade: 17

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Steve Bowie chega à indústria com seu extended play, \'MOTIFS\' traz um conceito que se liga à vida e à personalidade do artista, contendo relatos diversos sobre a vida dele. Iniciando de forma reflexiva e questionadora, \'Duality\' irá abordar sobre a fragilidade das relações sociais e como pessoas que parecem ser confiáveis se mostram falsas e dissimuladas, sendo a primeira mostra dos sentimentos de Bowie durante o projeto. \"Minha doce mentira, um jogo onde você move o adversário\". \'Messiah/Lost\' traz umas das composições mais interessantes e envolventes do álbum, Steve desenvolve uma narrativa onde o jogo de gato e rato estabelecido na faixa anterior permanece, mas com um tom mais sensual e provocativo, sendo a composição com melhor narrativa e progressão lírica do álbum, porém a parte do \"outro\" soa desconexa na faixa, há uma forte quebra de clímax ao ser inserida esta parte na faixa. \'Desire\' apresenta outra parte do eu lírico para os ouvintes, trazendo um ar superior e dominante, como se o artista tivesse o prazer de estar no controle, acertando novamente na construção narrativa da faixa. Entretanto, \'Desire\' não se conecta com o fim da faixa \'Messiah/Lost\', mostrando novamente a problemática do fim da canção anterior. Assim como todas as outras faixas, \'Dance In The Dark\' apresenta bela composição e carrega a melhor estrutura lírica do projeto, sendo o início dos novos conflitos que serão vistos a seguir. \'False Happiness\' é o ápice e a parte mais emocional do trabalho, onde o eu lírico finamente se desfaz de sua armadura e mostra sua vulnerabilidade total ao ouvinte, depois vemos \'Sober\', onde o artista ainda está com marcas deixadas pelas coisas que aconteceram, mas já se mostra parcialmente recuperado e pronto para seguir em frente. O visual é um grande acerto do trabalho, apresentando simplicidade e polidez, a arte conseguiu transmitir a aura sombria do trabalho ao ouvinte. Por fim, Steve Bowie estreia em ótima forma na indústria, os erros se encontram durante a parte coesiva do projeto, em alguns momentos algumas faixas parecem não se conectar com as seguintes, mas esta problemática não apagou a habilidade de transmitir emoções e narrar histórias do cantor, que tem potencial para se tornar um dos maiores nomes da indústria. COMPOSIÇÃO: 30 / CRIATIVIDADE: 20 / COESÃO: 18 / VISUAL: 20