
Pitchfork 82
Após um extenso hiatus, Dallas lançou seu disco “City of Angels” — disco que combinou o R&B e Hip-Hop com o gênero Pop, uma parte inexplorada de Dallas até então. “Party Everyday” é descontraída e traz um bom momento ao projeto com suas expressões e musicalidade mais limpa. É uma faixa que cumpre a sua intenção de ser festiva, mas poderia ser um pouco melhor sintetizada em momentos como os versos. “Crazy Girl” é uma faixa que explora bastante a própria identidade e as características num geral, assim entrando num caminho certamente politizado do disco. Algumas vezes essa canção cai em certos clichês, mas em outros compensa pela boa descrição que é aplicada. “Up At Night” desenvolve um lado mais emocional relacionado ao amor e ao fim dele. É uma canção que mostra mais como Dallas se sobrepõe nisso e supera as coisas observando o que isso a causou, sendo uma faixa bem poderosa. O conteúdo lírico é bem interessante e contém alguns mínimos pontos negativos, mas em totalidade é um destaque. “X” é uma canção altamente sexual e sua intenção é justamente essa. Com metáforas presentes durante toda a faixa e uma explícita definição dos sentimentos passados, a parceria com Hannah Cantwell e Serina Fujikoso é muito positiva no disco. “Only You” retrata a paixão intensa e o amor verdadeiro muito bem. Por mais que os versos sejam um pouco extensos demais para o que parece necessário, o sentimentalismo da artista é evidente e isso traz, com certeza, algo positivo ao projeto. “Interlude: Angels” e “City of Angels” introduzem o ouvinte a Cidade dos Anjos, aqui sendo descrito como um lugar mágico e desafiador de certo modo. A parceria com Bronx é bem refrescante e também cai em alguns clichês, mas é um momento bem interessante no projeto e cumpre o seu papel. “3 am.” talvez seja a mais confusa e ambivalente do disco. Retratando a confusão de sentimentos em um amor sem muita clareza e a necessidade de colocar seus sentimentos à frente, é uma canção boa, mas não tanto quanto as anteriores. “Rumors” é ácida e traz uma energia shady ao disco. É bem composta e consideravelmente extensa nos seus versos, podendo ser melhor dividida pela artista e até mais explorado para potencializa-la. “Bitch*s” em parceria com Marie Vaccari e Teyana T começa muito promissora, mas logo após o segundo verso e refrão a canção acaba sem um verso de Teyana ou desenvolvendo a ideia iniciada. Com isso, é um momento que traz uma certa decepção no projeto, ainda mais com o aviso de “letra final a ser finalizada”, visto que o álbum foi lançado há bastante tempo. “My House” é altamente influenciada pelo Hip-Hop e com certeza é uma parte bem divertida e calma no projeto. Os versos ambientalizam bem o que a artista está intencionada a fazer, e o refrão é bem divertido. É um bom momento no disco. “Fast in My Car” é uma faixa que explora a amizade e ao mesmo tempo um sentimento de superioridade aos males do dia-a-dia. Em parceria com Kadu e Naomi, os três mostram diferentes lados disso; enquanto Naomi traz uma ostentação e algo mais relacionado a fama, Kadu fala sobre um relacionamento e o fim dele. É uma canção interessante, mas poderia ter sido melhor finalizada após o verso de Kadu. “Nights” é a mais Hip-Hop do projeto e carrega aquele sentimento de seguir o seu caminho e ver aquela pessoa que um dia fez parte de você ir, mas não sentir um remorso que causa impotência; ao menos não como antes. É uma faixa que parece já narrar coisas expressadas anteriormente, mas é bem desenvolvida e uma escolha boa na tracklist. “Get Away” lida com a dependência emocional e finaliza o disco com talvez a melhor canção do projeto. É uma composição muito bem conduzida e que não poupa sentimentos, algo poderoso em canções desse tipo. O visual, produzido por Heccy, é bem produzido e manuseia bem as fotografias com os cenários e a tipografia. É um projeto visual bem sólido. Em síntese, “City of Angels” é um disco que passa por altos e baixos, mas mostra Dallas em momentos altos e conscientes de onde quer chegar e do que é danoso ou não para si, mostrando então uma vulnerabilidade ao público.

Spin 82
Ousada e determinada. Essa é a face do novo disco de estúdio de Dallas, City of Angels, que voltou surpreendente trazendo um material que transita entre seus estilos musicais, preservando o pop e o soul contemporâneo. Após três anos afastada das mídias, a veterana da indústria fonográfica mostra que ainda consegue facilmente alcançar novos patamares com composições audaciosas, segura de si mesma. E essa tranquilidade da artista está de forma evidente em qualquer faixa do disco; Dallas sabe o que está fazendo e coisa nenhuma pode detê-la. Mas, quais seriam as provas? As ilustres "Crazy Girl", "X", "City of Angels" e "Fast in My Car" se sobressaem como composições de alto nível presentes em um disco que em algumas calçadas, Dallas acaba tropeçando. De forma bem sucinta e tentadora, a primeira parte, que eu delimitei de "Party Everyday" até "Only You", se mostra bem direta, vamos se dizer. E é bom reiteramos que o conceito de "farofa" não é necessariamente ruim, assim como faixas com conceitos mirabolantes não são magníficas, em uma expressão geral para esses termos. Mas, voltando ao início do disco, a primeira faixa fala sobre festejar todos os dias e que não há nada que vá impedir ela de curtir a noite como a última de todas. É uma boa abertura e mostra que aqui ela começará seu álbum, como nunca começou antes. "Crazy Girl" mostra o primeiro ponto alto de City of Angels, mostrando a artista de Oakland de forma destemida, colocando-a como um legado: eu sou a Dallas, eu estou curtindo em uma balada e você não pode me parar. “She's so crazzzzzzzy! Love her!!!” "Up at Night" é o pulo do gato nesse primeiro início de COA. Ela se destaca, já que não é uma faixa sobre festas e empoderamento. Descrito pela cantora como uma "libertação de uma relação fora de sua realidade", possa ser mais do que essa libertação e sim o sentimento de Dallas desse escape desse relacionamento, de maneira bem estruturada e poética. A quebra de expectativa volta novamente, entretanto, de modo inesperado e excitante: em "X", Dallas convida suas melhores amigas, Serina Fujikoso e Hannah Cantwell, para uma música atraente e totalmente sedutora, isso porque condiz com a descrição de Dallas sobre a faixa: "[...] As pessoas pensam e dizem que por ser mais velha e mãe, não posso falar sobre sexo. E eu posso sim e devo falar sobre o que eu me sentir à vontade. [...]". Ela somente não se sente em casa, como há a sensação de ter propriedade no que está compondo. São emoções despidas em composição. Pela primeira vez, há uma imersividade na concepção de City of Angels. Acredito que seja incomum declarar uma interlude como um forte de um disco, mas tenho certeza de que quando Dallas escreveu "Interlude: Angels" deveria estar ouvindo algum artista "master'' em inspiração. Expressiva e há muita sinceridade na escrita de Dallas; é catártica e libertadora. A artista deixa claro que a perspectiva do álbum é declarada pelo ouvinte, há muitas dualidades, então basta você interpretar as faixas como o ‘uso de substâncias’ ou ‘românticas’. E claro, ela não funciona para todas como "City of Angels”, faixa-título em participação de Bronx, que faz os artistas imergirem nas cidades dos anjos, com metáforas e versos modestos e singulares. Nesse meio, "3 am." possui um sentimento desalinhado com a composição da faixa, Dallas diz que há emoções confusas na faixa; talvez isso tenha interferido em sua escrita, o que tornou um tropeço dentro do disco. E não que ela seja ruim, ela somente não é o ponto alto do álbum. "Rumors" é uma resposta direta às opiniões de Dallas em seu tempo inativo, com trocadilhos inteligentes em sua escrita. Dallas sabe muito bem escolher seus featurings e não foi diferente em City of Angels, já que aqui temos "Bitch*s" e "Fast in My Car" com Teyana T e Marie Vaccari, e Naomi e Kadu, respectivamente. Aliás, senti falta dos versos arrojados de Teyana T em sua faixa. Ambas demonstram capacidades de serem grandes hits. "Get Away" finaliza o disco com uma breve mensagem de deixar a cidade dos anjos, mas de modo sagaz. Ainda que City of Angels, perca seu conceito em suas faixas, o projeto se mantém sólido e muito bem estruturado, e quando isso ocorre, pode ter certeza que Dallas retoma com muita capacidade. Com os nomes de TAMMY e Heccy assinados na produção do álbum, seu visual é surpreendentemente cativante, principalmente por sua capa, totalmente única e autêntica. As fotos e as cores escolhidas no encarte para as respectivas canções, se assemelham entre si, trazendo mais significado e compreensão para as faixas. É mais um fato para perceber que Dallas acertou em cheio nesses aspectos, trazendo nomes profissionais para contribuírem em seu projeto, O álbum tem seus altos e baixos, como qualquer outro, isso é imprescindível, mas o que é bem previsível é de "Party Everyday" até "Get Away", houve uma rima aqui, Dallas encontrou seu espaço como artista e a missão é esbanjar seu talento de forma crucial e aproveitar, já que City of Angels é mais do que um simples álbum de uma cantora de Oakland.