Colen Colen Rock, Pop202311 músicas

The Boston Globe 92

Após se despir do Pop mais convencional no “Post Beach Apartment”, a canadense Colen lançou o seu álbum homônimo, “Colen”. O disco se inicia em “Suburbia Dreams” — faixa que é construída entre pensamentos dolorosos e que lidam com a exaustão de Colen com suas responsabilidades, além de citar problemas familiares e os conflitos em que foi exposta. É uma canção transparente e confessional, um pouco densa, mas em sua totalidade é um início certamente bem escolhido. “The Devil In Details” fala do insucesso da artista ao buscar conforto na sua base familiar. Aqui citando a dor e a maldade adentrando o seu lar, a canção possui versos bem escritos, mas por alguns momentos a clareza fica opaca. Mesmo assim, é uma canção bem interessante. “Charmed” fala sobre seu relacionamento com o seu pai. Uma faixa bem rica em detalhes, é a mais explícita do disco, e mostra a consciência do dano e da dor que essa pessoa causou em sua vida. É um destaque bem visível no long-play. “Lemonade” mostra o refúgio de Colen no álcool em meio a pensamentos autodestrutivos e perigosos. Aqui citando como ela via a indiferença nos olhos das outras pessoas, é uma canção que consegue combinar bem os seus fatos. “Issues” lida com o impacto da vida adulta, aqui colocando em pauta também os erros cometidos no caminho a independência. É uma canção com bons recursos líricos, que tornam a sua narrativa mais clara, sendo então uma faixa excelente. “Major Feelings” lida com a autoimagem e autoestima de uma forma bem dolorosa. Aqui falando da forma que a sua mente atenua ainda mais sua relação consigo mesma, a canção possui uma carga emocional bem forte, e sua forma mais íntima de composição até mesmo potencializa a mensagem do disco num geral, sendo excelente na tracklist. “Souvenir” fala sobre uma pessoa querida para a artista. Sendo bem detalhista, é uma canção muito transparente e que mostra os sentimentos mais pessoais e particulares da artista, aqui dedicando-os a essa pessoa. É uma faixa muito bonita e muito bem posicionada no disco. “Hunter of the Night” fala sobre uma solidão intensa, praticamente crônica da artista. Mesmo fora de casa e cheia de pessoas ao seu lado, ainda há a solidão ali para dizer que tudo isso pode ser mentira. É uma canção bem singular em relação às outras, ao mesmo tempo que se relaciona muito bem. “I Blame You” lida com aguentar muitas coisas nas costas, até que um dia a exaustão fala mais alto e a agressividade expulsa essa dor, independentemente de como seria. É uma faixa bem amarga, e funciona muito bem no projeto, mas poderia ter uma ponte mais polida. “New Skin” fala sobre a dificuldade para voltar ao “ritmo normal” após as sequelas que a pandemia deixou nas rotinas de pessoas no mundo inteiro. É uma faixa mais curta, e que basicamente reforça como a dificuldade da artista é sentida intensamente por ela. Poderia ter sido mais desenvolvida, mas é uma faixa muito boa. “Breathtaking” clama por um motivo para estar aqui, para estar no mundo, para “perder o fôlego”. Aqui falando sobre a vida num geral, é uma faixa mais carregada pelos versos. É uma excelente forma de finalizar o projeto. O visual, produzido por Colen, é bem intimista e simplista. Com o preto, branco e azul como cores principais, a fotografia e a edição mais simples fazem o visual bem agradável, com boas conexões e boas adições gráficas, como os títulos handwritten e os desenhos da artista. Portanto, “Colen” pode ser considerado o magnum opus de Colen; um disco íntimo, adulto, sério e com uma carga lírica com muita identidade atrelada.



Rolling Stone 89

Carregando uma proposta mais intimista, Colen lança o seu quinto álbum de estúdio, do qual leva o seu nome. Em ‘Colen’ temos uma proposta bastante diferente dos seus lançamentos anteriores, onde veremos um lado mais profundo e pessoal da artista, sendo este um projeto construído em base fria. O projeto se inicia em ‘Suburbia Dreams’, uma faixa emocional e que reflete os anseios do eu lírico por coisas que deveriam ser básicas, à exemplo de uma família estruturada. A delicadeza da temática juntamente dos versos poéticos faz com que o álbum se inicie de forma positiva, quase como um convite ao ouvinte para saber mais sobre a vida da artista. Além disso, a faixa traz algumas temáticas implícitas em seus versos, como angústia e lutar por um futuro melhor e passar por inúmeros desafios. ‘The Devil In Details’ traz uma composição robusta e uma capacidade técnica altíssima para criação de storytelling, o nível de detalhamento é tão preciso que imagens conseguem ser formadas na cabeça de quem está ouvindo. O destaque da canção vai para o seu refrão, do qual conta com excelentes metáforas e resume toda a música de forma precisa em seu final. A terceira faixa é ‘Charmed’, trazendo um assunto forte e de forma bastante crua, o eu lírico conta sobre a relação com o seu pai, transitando entre momentos mais descritivos e poéticos, também mantendo um nível alto de composição. Até aqui, embora as estruturas líricas do álbum estejam fora do convencional, as canções são fluídas e fáceis de acompanhar, não sendo um problema. Trazendo assuntos mais cotidianos e relacionado ao início da vida adulta, ‘Lemonade’ e ‘Issues’ erram em quesitos semelhantes. ‘Lemonade’ conta um pouco sobre a vida fora dos trilhos que o eu lírico leva, tendo a bebida como um escape. De forma geral, a canção não é muito cativante e o pré-refrão/refrão soam desconexos com o restante da letra, sendo a canção em si em um tom bem triste e consciente dos problemas do álcool e da vida, sendo que essas duas partes mencionadas trazem um tom mais celebrativo e conformativo. Já em ‘Issues’, a canção não cativa por ser excessivamente descritiva, algumas partes da canção carecerem de musicalidade, como o verso 1 e o pré-refrão, que não contam com sutileza e simplesmente descrevem todos os problemas de forma literal que a vida adulta traz. ‘Souvenir’ é uma das faixas mais leves do álbum, onde a artista discorre sobre um romance. A faixa carrega belos versos e de puro sentimento, é possível sentir a felicidade e a esperança em cada parte da letra, servindo também como um respiro para o álbum com uma carga dramática pesada. Dentre os últimos destaques do álbum, temos ‘New Skin’, outra canção bastante intimista e que relata a experiência de reclusão da artista durante a pandemia, além de trazer sobre voltar a vivência com o mundo exterior. Trazendo a melhor estrutura lírica do álbum, a faixa é bastante cativante e transmite um sentimento em comum para várias pessoas: O afastamento durante a pandemia e as dificuldades de voltar ao mundo classificado como “normal”. Por fim, temos ‘Breathtaking’, encerrando o projeto de forma mais leve e otimista. Embora a canção não seja um dos destaques do álbum, é uma ótima música para o seu encerramento, da qual mostra o amadurecimento do eu lírico e as lições aprendidas com as faixas anteriores. O visual do álbum é intimista e focado na imagem da artista, o que é bem condizente com a proposta do álbum. Produzindo pela própria Colen, podemos dizer que ela executou um bom trabalho aqui também. Em resumo, a artista entrega um excelente trabalho em ‘Colen’. Com composições robustas, cheias de nuances, sentimentalismos e crises diversas, a artista é bem sucedida em transmitir sua mensagem e emocionar através dos versos poéticos alocados em cada pequena parte do projeto,



The Line Of Best Fit 82

Colen retorna após uma pausa curta entre seus trabalhos anteriores, com um álbum que carrega uma proposta mais intima, sóbria e carregada de pesares. O autointitulado disco alude a uma imersão dentro da psique da cantora, na intenção de levar o ouvinte para dentro de suas emoções mais corrosivas e mostrar uma imagem mais humana ao seu público. A primeira faixa do álbum, "Suburbia Dreams," configura o tom do disco, um padrão que se repete nas canções que a procedem, com poucas exceções. É inegável, Colen é uma artista bastante inspirada ao escrever, pendendo ao exagero, com versos desnecessariamente longos, como também é o caso de "The Devil In Details". A segunda faixa possui um conceito interessante e ótimas letras, mas que funcionam melhor separadamente da composição como um todo. É como se Colen estivesse prolongando um assunto que poderia ser mais direto ao ponto. Imagine-se lendo um livro, você entende o que está querendo ser dito, mas o autor estabelece sua escrita em rodeios para explorar seu vocabulário, podendo deixar os leitores exaustos. "Charmed" se destaca pelos versos menos exagerados, claro, em comparação com as faixas que a precedem e a antecedem. Aqui não enfrentamos ciclos e reafirmações conceituais, recebemos uma canção mais direta e sólida, que funciona perfeitamente com o estilo lírico mais poético da artista. Por outro lado, "Lemonade" não surpreende muito, apesar de que a narrativa construída por Colen é impressionante, mas líricamente, possui um dos refrãos mais fracos do disco. "Issues" aborda uma temática cativante para o meio do álbum, seus versos mais curtos, como os de "Charmed", provam mais uma vez de que menos é muito mais, embora Colen ainda precise de um pouco mais desse menos. "Major Feelings," "Souvenir" e "Hunter Of The Night" são as últimas faixas antes do disco começar a ser realmente cansativo. Por mais longa que seja, "Hunter Of The Night" possui um dos melhores refrãos do álbum e a atmosfera mais palpável de todas apresentadas até o momento. "Major Feelings" e "Souvenir" mantêm o padrão apresentado anteriormente, músicas longas com a temática e letras sendo bem executadas. "I Blame You", "New Skin" e "Breathtaking", com exceção da nona faixa, as duas últimas são bem mais singelas que grande parte do disco, mas ainda assim, o ouvinte está exausto pelo que foi apresentado anteriormente. São temas difíceis, são profundos, o que torna compreensível certo nível de exagero, mas a habilidade de síntese quando se conta histórias em canções, é muito mais necessária do que se imagina. Em questões visuais, o álbum é agradável, o design desconstruído e caseiro se adapta a atmosfera íntima do conceito. Um ponto negativo poderia ser a escolha de fonte para o encarte que é destoante de todos os outros elementos visuais. O autointitulado obtém sucesso em apresentar a pessoa por trás da artista, uma grande biografia, recheada de uma boa lírica, com músicas bem narradas, mas que falha em carregar sua mensagem de forma sucinta, perpetuando alguns problemas como: exaustão e redundância, o que enfraquece toda estrutura da música, o grande problema em canções muito longas. Colen é uma ótima liricista e trabalha muito bem a linguagem poética, mas é necessário que ela coloque os pés no chão para que não emule o George R. R. Martin quando for escrever canções. Em uma última análise, gostaríamos de ver a cantora explorando e treinando a habilidade de síntese para assim atingir seu máximo.



AllMusic 90

“Colen” é o auto-entitulado quinto álbum de estúdio da canadense Colen. O compilado é o projeto mais pessoal da artista, isso dito por ela mesmo, trazendo uma base extremamente melancólica, Colen canta sobre diversos temas que a perseguem e que a transforma em um personagem auto sabotador. Colenine em suas 11 faixas presentes neste álbum descreve com clareza, vulnerabilidade e principalmente coragem, pois se é preciso ser corajosa para se demonstrar de forma tão crua, suas maiores dores e seu anseio por algo que te faça viver, e não apenas existir. A lírica adotada em cada faixa demonstrar momentos de tristeza, desgaste, irá e contenção da mesma. A artista traz diversos sentimentos dolorosos que a transforma em um personagem auto sabotador em sua história, demonstrando a autodepreciação de um indivíduo que passa por uma período de não valorização própria ou de não valorização por pessoas que a rodeia. Todas as faixas do projeto tem um alto padrão de qualidade lírica, a artista demonstra como nunca suas habilidades como uma das principais compositoras da indústria, entregando versos e canções extremamente estruturados e desenvolvidos com analogias e metáforas inteligentes e sem exageros. Mas precisamos destacar faixas como The Devil in Details", “Charmed” e “I Blame You” que ultrapassam os limites de qualidade e vulnerabilidade entoada por todo o compilado. O visual que é produzido pela própria artista é simplória, mas que casa muito bem com toda a obra lírica, onde aqui a frase “o menos é mais” é fidedigna. Conseguindo expressar o sentimento da obra com maestria. Com seu álbum auto-entitulado, Colen eleva seu nível de lírica, demonstrando por qual motivo sempre será lembrada na grande indústria musical. Demonstrando que mesmo depois de uma carreira consolidada, você não pode relaxar e não se entregar a sua arte, e ela demonstra isso com maestria, entregando o seu melhor álbum produzido e escrito apenas por ela depois de 4 outras grandes obras.



TIME 87

Trabalhar em um projeto inteiramente pessoal e de forma quase que totalmente solitária é uma atividade que poucos se dispõem a fazer. Expor não só seus dramas como também as imperfeições que dificultam as situações em que você mesmo se coloca no dia-a-dia é outro desafio tão mais impensável ainda. A cantora e compositora Colen se propôs essa tarefa para seu quinto álbum de estúdio, cujo título leva o nome da mesma, tendo em mente o desejo de se firmar com "um projeto definitivo", que a defina e defina sua carreira. Visualmente, é uma ideia concisa, mas não simplória; delicadamente pautada em padrões, mas sem segui-los de fato; a fotografia em preto-e-branco e o tom confessional da obra casam perfeitamente com a produção da artista. 'Suburbia Dreams' é a primeira faixa do álbum, e o exato tom confessional mencionado anteriormente já se apresenta aqui. Em frases como "nada realmente parece caminhar, a cada passo que dou me sinto desnorteado para onde realmente devo andar", o ouvinte recebe a confirmação de que a proposta do projeto self-titled se cumpre logo nas primeiras impressões. 'The Devil in Details' é um mergulho da artista em pensamentos autodestrutivos e reflexivos sobre sua vida, sentindo que se preocupou demais com o futuro para perceber os males causados no presente vivido por ela, sendo o segundo verso o maior destaque da faixa por seu caráter narrativo, mas poderosamente identificável com o ouvinte. 'Charmed', uma canção sobre a relação destoante de Colen com seu pai, possui a delicadeza de uma pessoa raivosa tentando medir as palavras para expressar sua verdade, mas sem o controle suficiente para não ser ofensiva — ao cantar "me pergunto se você já amou alguém na vida, porque amor é confiança e você sempre duvidou de mim", o ouvinte não duvida do poder de uma relação estremecida. 'Lemonade' é um caso mais comum do que se imagina sobre pessoas que recorrem a bebidas e socializações para preencher vazios que são muito maiores do que problemas superficiais; o potencial de Colen nesta faixa é em como ela narra essa situação, ainda que não seja exatamente uma novidade. 'Issues' serve como uma ponte entre as situações-problema trazidas pela artista em momentos anteriores e um possível amadurecimento, ainda no estágio de aceitar que o crescimento é fundamental para si mesma, mas com um toque de recusa em deixar tudo o que sabe para trás ("quando as responsabilidades começaram a bater na porta, a primeira coisa que fiz foi chorar"). 'Major Feelings', lead single do LP, soa como uma escolha óbvia para divulgação da era; Colen explora todos os sentimentos possíveis de serem imaginados quando se está num processo de baixa autoestima, e em vez de se prender a apenas um deles, cita uma grande parte das sensações autodestrutivas que a impedem de trilhar seu caminho pacificamente ("não há destino escrito nas estrelas que não tropece nas pegadas de nossas escolhas"). É por composições assim que 'Colen', o álbum, deveria ser mais apreciado como uma autobiografia musical de uma artista que sente ter passado por mais coisas na indústria do que uma pessoa normal passaria em uma vida inteira. Se bem trabalhado fora dos aspectos criativos, a cantora certamente teria uma era magnum opus em mãos.



American Songwriter 92

Existe um grande velho ditado que o artista faz a sua casa, assim, podemos associar essa frase com o gênero que ele tem como identidade e onde ele se projeta com facilidade. No entanto, ao se tratar de Colen e seu album auto-intitulado \"Colen\", é possível descascar por inteiro essa ideia. Há artistas que não precisam se fixar em gêneros pra terem suas casas, seu conforto maior, ou melhor, a sua casa se faz pela busca de novos horizontes e formas diferentes se expressar, independente do gênero. Uma grande nômade musical. Com esse grande projeto, recheado de grandes composições, que acredito que seja determinante pra transforma-la em uma das maiores compositoras que já passaram na indústria. Em \"Colen\", a ideia é reflexão, vagando pela sociabilidade e intimidade, formas comportamentais e interpretação sobre atitudes de outras pessoas e de sí mesmo. O album se aventura em todos os tipos de sensações que você possa imaginar, repetir a temática aqui não se foi possível encontrar. A sensação ao terminar-lo, seria que Colen poderia ficar horas e horas ainda escrevendo muito mais, mas teve que colocar um ponto final pra não se estender. Liricamente, não há como esperar muito pouco pra alguém que tem muito o que dizer; Composições muito bem construídas, metáforas ao ponto e todas com potenciais pra levar qualquer prêmio associado a composição. \"The Devil in Details\", \"Charmed\", \"Issues\" e \"I Blame You\" são os grandes destaques no meio de outra grandes canções. No entanto, a escolha especificamente pra destacar essas quatro faixas seria vínculo familiar que são trazidos nelas que são bem envolventes e diferentes, algo que, pessoalmente, a sensação transparece como se o ouvinte fosse o eu-lírico de toda a trajetória. A única canção, que ainda sim muito bem desenvolvida, assim como as demais, com um tema que ultimamente muito saturado e persistente, aquele que é trazido em \"Lemonade\", um senso comum do vício ao álcool que muita gente já está cansado de ouvir, porém, o duplo sentido com a bebida limonada é muito legal e deixa a canção mais interessante. O visual, assim como as composições, foi totalmente produzido pela própria artista e traz uma sutilidade que esperamos ao ouvir-lo. Não dá pra esperar um visual estrondoso de um disco onde percebe-se que a intensão é ser liricamente pormenorizado, e isso ele consegue ser um grande destaque. De fato, Colen sempre foi uma artista que sempre chamou atenção pela sua capacidade de se inovar a cada trabalho, no entanto, especificamente aqui, com \"Colen\", seu nível de compositora foi elevado a excelência, sua mente é imprevisível, mas seu talento é inquestionável.