Los Angeles Times 72
Depois de um longo tempo na indústria, Baby nos presenteia com seu primeiro disco de estúdio, intitulado “Dorothy” com doze faixas em sua composição e inspiração centrada em “O Mágico de Oz”. Em sua primeira faixa, intitulada “my eyes are always sad”, a cantora aborda suas inseguranças e medos perante o mundo atual, onde se mostra triste e pensativa com esses sentimentos, a estrutura da canção é bem feita e conseguimos compreender o que a cantora quer passar, apesar de ser uma faixa não muito adequada para iniciar um disco. “Carousel” expande para caminhos diferentes o sentido da faixa anterior do disco, casando bem com sua antecessora, onde a artista se sente centrada em no que acontece fora de seu alcance, linhas como “Sentada num cavalinho colorido / Assisto a vida passar lá fora / Enquanto existo confinada em meu mundo fantástico” soam demasiadamente rasos e acabam não soando tão bem com a faixa em si. “Sorry” é uma carta de Baby para seu pai, onde a artista questiona o quanto ele não participou de sua infância e consequentemente não amou ela como deveria, sendo uma canção bem estruturada e pensada, casando bem com a proposta do disco em sua maioria. “Slow Days” continua o disco de uma forma mais melancólica da artista, onde ela sente que a dor está inserida em sua convivência e assim, afetando todo o seu círculo familiar em geral, com versos bem escritos e pensados, apesar de seu primeiro verso ter algumas irregularidades. “Golden Father” traz consigo uma proposta mais dolorosa, onde Baby lamenta e traz a tristeza de não conseguir aquilo que queria, vencer o que ela mais sonhava e assim se sentindo em constante queda, a canção traz metáforas gigantes e extremamente bem pensadas, sendo uma faixa potencial para single no futuro. “American Dream” traz uma narrativa mais sombria e introspectiva, onde temos a artista explorando o seu amargo arrependimento e em busca de um escapismo para a sua juventude, com metáforas bem usadas, a faixa é um grande destaque até aqui na composição do disco. “THE BATTLE AT GARDENS GATE” traz um título bastante potencial, mas, não é refletido em sua letra, onde acaba sendo totalmente diferente do resto do disco, sendo uma canção bastante apagada, não trazendo consigo uma proposta bem feita, apesar da tentativa da artista. “Mona Lisa Frankestein”, mega colaboração com Jacob, Naomi e Steve Bowie usa a metáfora da pintura de mesmo nome, onde os artistas se comparam fielmente a pintura, mas isso acaba não se refletindo nos versos dos featurings, onde acabam explorando caminhos diferentes da proposta da canção, principalmente em linhas de Naomi, que soam perdidas com o resto da música. “Circus Freak”, colaboração com Dallas onde ambas as artistas se sentem em um circo onde se montam na fama e consequentemente se sentem no topo por isso, apesar de boas metáforas, o verso de Dallas acaba sendo totalmente desconexo com o resto da faixa. “Clown” aborda como a artista busca a sua identidade em meio a tantos empecilhos, onde se sente duramente criticada, mas que tenta ao máximo não se abater com tudo isso, é uma faixa boa, mas que pega pela repetição de temas já abordados no álbum. “The Final Act” marca Baby em uma cena sombria, onde testemunha a falsa queda de algumas pessoas, e assim vendo o colapso de tudo. “Beautiful Ghosts” última faixa do disco, traz a artista voltando a suas origens e revisitando sua casa e tento déjà vus de sua infância, apesar de metáforas usadas para de certa forma enfeitar a faixa, a canção se torna um pouco irregular em alguns aspectos, principalmente em sua ponte. O visual do disco, assinado por Tammy, Annagram e Gabriel é bastante simples em sua raíz, principalmente em sua capa que traz elementos tanto quanto cafonas e batidos, o encarte do Long Play é um bastante discutível, trazendo um ar de algo feito as "pressas". Em geral, o álbum traz consigo algumas canções boas, mas que, peca em não manter essa regularidade em seu decorrer, principalmente pela falta de profundidade na inspiração do álbum e alguns assuntos superficiais, apesar disso, Baby traz um álbum bom, mas que, com mais atenção, poderia ser ótimo, assim nos deixando ansiosos para futuros trabalhos da artista.

The Line Of Best Fit 70
Inspirado no clássico "O Mágico de Oz", Baby lança seu álbum de estreia, intitulado “Dorothy”. O disco apresenta uma jornada intimista pelos recantos emocionais da cantora, permeada por emoções intensas que marcaram sua vida. Assim como a personagem do filme, Baby parece perdida no mundo encantado da indústria fonográfica. Desde o início, o álbum mergulha na intimidade da cantora, explorando temas como insatisfação corporal, crises de autoconfiança e relacionamentos tumultuados. Apesar do esforço e do êxito em conseguir transmitir as mensagens propostas, o álbum peca em fazer transições para outros temas, conforme evidente na mudança de ares do primeiro para o segundo ato. Em diversos pontos, o trabalho na totalidade soa confuso. Primeiramente, a aplicação da temática não é tão clara quanto deveria, soa que o conceito do “O Mágico de Oz” é mais uma fachada do que algo que o ouvinte irá desfrutar, refletir e fazer conexões. Obviamente, não queremos um disco que conte a história de outra pessoa, queremos ver Baby dando vida à sua personalidade, que aparece em vislumbres em algumas faixas poderosas, como “Carousel”, “Beautiful Ghosts” e “Clown”. Como citamos a faixa “Clown”, gostaria de destacar a presença da ‘trilogia’ de canções que contam uma história como bagunçada. Mesmo a narrativa contada seja interessante e bem ambientada, ela interrompe o álbum em seu clímax. É como se estivéssemos em outro lugar, ou melhor, dentro do tornado que levou a garotinha para Oz. Quando se trata do visual, o álbum acerta, em partes. Apesar de sua beleza e coerência com a proposta artística, a capa pode ser considerada um tanto cafona, lembrando mais um pôster de um musical off-off Broadway do que a capa de um álbum de música pop. Uma abordagem mais discreta e menos escrachada poderia ter sido mais eficaz para transmitir a mensagem artística, como podemos ver no encarte. Baby é indiscutivelmente criativa, capaz de tecer melodias e letras intrigantes. No entanto, "Dorothy", mostra algumas falhas na construção global. Embora suas músicas individualmente sejam boas, algumas destacando-se mais do que outras, há consistência na execução dos versos ao longo. Como seu primeiro álbum, é compreensível que a artista possa ter cometido alguns erros na construção do conceito. No entanto, essa experiência pode servir como um trampolim para seu crescimento artístico. Ela tem a chance de não se prender aos erros do passado, mas sim aprender com eles. Dedicar mais tempo para polir e construir uma ideia coesa que agregue e faça sentido para as histórias que serão contadas. Com isso, Baby pode explorar novos horizontes e oferecer aos seus fãs uma experiência mais completa.

Spin 64
Após vários singles, Baby finalmente lança o seu aguardado primeiro álbum de estúdio, "Dorothy". Inspirada na icônica personagem de Judy Garland no filme "O Mágico de Oz", Baby convida os ouvintes a explorarem seu próprio mundo imaginário, mas a experiência, embora repleta de criatividade, revela-se desafiadora em termos de coesão e sustentação do interesse. Iniciando com "my eyes are always sad", a abertura do álbum revela uma Baby mais introspectiva e vulnerável, oferecendo uma visão penetrante de suas inseguranças. O tema permanece na próxima faixa "Carousel", aonde a metáfora do carrossel para descrever a repetição de emoções é hábil, mas aqui, o looping infinito das experiências de Baby pode ser intrigante, entretanto, a execução deixa espaço para uma direção mais nítida na narrativa global do álbum. Essa vulnerabilidade permanece nas faixas seguintes chegando numa conclusão com "Golden Feather". A narrativa de criar expectativas e enfrentar decepções é habilmente apresentada ma faixa, com a inspiração no próprio cenário de premiação de Baby acrescentando um toque de realismo à música. A transição para o próximo ato do álbum, por assim dizer, acaba sendo extremamente brusca, essa falta de coesão se destaca como uma das maiores fragilidades do álbum. Enquanto cada faixa aborda um aspecto diferente da vida de Baby, a transição entre as músicas nem sempre é fluida. A narrativa, que promete uma imersão contínua, perde força nessa segunda metade, resultando em uma experiência que pode deixar o ouvinte desconectado, como em "THE BATTLE AT GARDENS GATE", canção já conhecida de Baby, mas que aqui fica totalmente perdida e fora de lugar. O álbum teria se beneficiado de uma progressão mais fluida para manter a atenção do ouvinte. "Circus Freak," "Clown," e "The Final Act" formam uma trilogia intrigante, representando o picadeiro da vida de Baby. Essas músicas, embora fundamentais para a narrativa, também contribuem para a quebra da coesão geral do álbum, destacando-se como pontos fortes individuais em detrimento da harmonia da obra completa. O encerramento do álbum, uma canção intimista e pura, resgata o interesse e proporciona uma conclusão reflexiva. A criatividade de Baby é inegável, sendo o ponto mais alto de "Dorothy". A capacidade de criar um universo próprio e compartilhá-lo com o público é um mérito indiscutível, demonstrando a profundidade da artista em explorar suas próprias emoções e narrativas. A criatividade presente no conteúdo lírico do álbum infelizmente não se transfere pro álbum, com o encarte sendo extremamente curto composto somente de 4 fotografias que não conversam entre si e de páginas contendo os créditos das músicas de maneira comprimida. Seria legal ver como essa personalidade Dorothy se mostra no visual, mas o que encontramos é somente uma Baby bonita fazendo carão. "Dorothy" de Baby é uma obra que apresenta uma artista corajosa e criativa, disposta a mergulhar em suas próprias emoções. No entanto, a falta de coesão e transições suaves prejudica a experiência global. A escrita, embora autêntica, pode beneficiar-se de um refinamento para maior impacto emocional. O álbum oferece promessas de crescimento para um futuro, mas por enquanto só temos uma prévia do potencial de Baby.

Billboard 70
Após um extenso periodo de promoção,"Dorothy", o primeiro álbum de estúdio da artista Baby, está entre nós. O álbum é uma jornada íntima pelos recantos emocionais da cantora, permeada por emoções intensas que marcaram a vida da artista. Inspirado no clássico "O Mágico de Oz", o álbum conduz os ouvintes através do imaginário complexo de Baby, centrando-se na personagem "Dorothy" como uma metáfora para a busca pessoal da artista pelo autoconhecimento. O álbum inicia sua jornada com promessas de uma experiência profunda, abrindo as portas do mundo emocional de Baby. 'my eyes are always sad', e 'Sorry', as faixas mais intimistas dessa introdução, exploram temas como a insatisfação corporal, crises de autoconfiança e a relação tumultuada com o pai, revelando uma vulnerabilidade crua e autenticidade emocional. A escolha de incorporar a personagem "Dorothy" como um fio condutor para a narrativa é uma abordagem criativa que adiciona profundidade ao álbum. Inspirada em Judy Garland, a personagem espelha a jornada da artista em busca de autoconhecimento e enfrentamento de dificuldades. Esta metáfora, embora intrigante, por vezes, se perde na falta de consistência narrativa ao entrar em faixas como "Goldean Feather", "American Dream" e "Mona Lisa Frankenstein" (single principal do álbum). Ao explorar a visão da fama, Baby entrega músicas mais intensas que vão de total contra ponto ao apresentado anteriormente. Aqui, a artista canta sobre a busca desenfreada por fama, dinheiro e poder, perdendo a essência ingênua e pura. As letras abordam a pressão social, o julgamento e a máscara que muitas vezes é usada para esconder a verdadeira identidade. Uma parte destacada do álbum é a trilogia composta por "Circus Freak", "Clown" e "The Final Act". Esta narrativa visual sobre a vida sendo um picadeiro, onde as emoções são representadas como clones, é poética e provocativa. No entanto, a transição entre essas faixas poderia ter sido mais suave para garantir uma coesão narrativa mais robusta. E justamente, um ponto crítico do álbum, é a falta de coesão narrativa em certos momentos. As transições entre as diferentes facetas da vida de Baby, embora carregadas de emoção, muitas vezes parecem abruptas, deixando o ouvinte em busca de uma linha condutora mais clara. O encerramento do álbum, com uma "Beautiful Ghosts", uma canção intimista e pura, reflete a reconexão de Baby consigo mesma. Esta jornada ao subconsciente, enquanto encerra a experiência musical, poderia ter sido mais hábil em costurar os diversos temas apresentados ao longo do álbum. O visual, assinado por ANNAGRAM, Tammy e GABRIEL, tem um conceito interessante e uma paleta de cores bonita no HTML, mas a elaboração do encarte ao lado do fato de não se ter muito material fotográfico presente nele, faz com que o ouvinte acabe se decepcionando um pouco e fique com uma sensação de "quero mais". Seria muito legal ver mais dessa obra fantasiosa presente em seu visual também. Dorothy é uma obra marcada por sua criatividade e pela coragem de Baby ao explorar os aspectos mais íntimos de sua vida. No entanto, a falta de coesão narrativa prejudica a experiência global. A metáfora de "Dorothy" é fascinante, mas sua execução poderia ter sido mais consistente para proporcionar uma experiência auditiva mais fluída.
All Music 75
O aguardado álbum "Dorothy" da talentosa cantora Baby finalmente chegou às nossas mãos, marcando o lançamento de seu primeiro disco. A obra não apenas representa uma conquista significativa para a artista, mas também demonstra sua coragem ao abordar um conceito diferenciado, proporcionando uma experiência artística única aos ouvintes. A narrativa envolvente do álbum, inspirada na personagem Dorothy do filme "O Mágico de Oz", revela as dores e ilusões da própria Baby. Essa escolha conceitual demonstra a ambição da cantora em oferecer mais do que simplesmente músicas, mas sim uma jornada emocional e introspectiva. A coragem de Baby ao explorar temas tão pessoais e profundos é digna de elogios, mostrando uma artista comprometida em se revelar de forma autêntica. Entretanto, mesmo com a riqueza conceitual, o álbum apresenta altos e baixos em sua composição. Algumas faixas brilham com escrita inteligente e nuances cativantes, como "The Battle at Gardens Gate", "Clown" e "Golden Feather". Essas composições destacam-se como pontos altos, evidenciando a habilidade de Baby em criar músicas ricas e envolventes. No entanto, é inegável que algumas faixas parecem inacabadas, exigindo maior atenção e refinamento. Isso, infelizmente, prejudica a fluidez da narrativa proposta por Baby, deixando lacunas que poderiam ter sido preenchidas para fortalecer a coesão do álbum. Destacam-se negativamente as faixas "American Dream" e "Sorry", que desacrescentam na contagem positiva do álbum. Essas peças, talvez, necessitem de uma revisão mais aprofundada para se alinharem melhor com a proposta conceitual e musical do álbum. No aspecto visual, embora cumpridor de sua função, percebe-se que poderia ter sido mais elaborado e contextualizado. Efeitos fortes, cores vibrantes e texturas intensas, embora impactantes, parecem destoar da proposta mais leve e introspectiva do álbum. Além disso, a falta de cuidado com o texto no encarte, sua formatação e disposição, é um detalhe que merecia mais atenção para enriquecer a experiência do ouvinte. Em conclusão, "Dorothy" é um álbum que, apesar de apresentar deslizes, revela a persistência e a sede de expressão artística de Baby. Compreendemos a ansiedade e o apelo midiático para o lançamento, mas também enxergamos o potencial não totalmente explorado. Baby, sem dúvida, demonstra ser uma artista em evolução, e esperamos ansiosamente por seus futuros trabalhos, torcendo para que alcance todo o seu potencial artístico.

The Line Of Best Fit 78
O álbum "Dorothy" da novata Baby, oferece uma jornada íntima e emocional, explorando dores, ilusões e autoconhecimento. A narrativa inspirada em Judy Garland e "O Mágico de Oz" adiciona uma camada fascinante, enquanto Baby compartilha experiências pessoais, desde a insatisfação corporal até as complexidades de suas relações. A trilogia "Circus Freak," "Clown," e "The Final Act" destaca a luta entre sua verdadeira essência e as expectativas externas, culminando em uma reflexão profunda por outro lado, algumas músicas soam desnecessárias e repetitivas como 'Clown' que soa como uma continuação de outra faixa presente no album de uma tematica parecida, com Monalisa Frankenstein marcando uma presença forte no álbum, fica marcado que o álbum não poderia ter outro um lead single que o represente tanto como o featuring de Baby, Naomi e Jacob. O álbum contém feats interessantes e que se fazem necessários em suas faixas, como a cantora Dallas na faixa 'Circus Freak' que entrega um verso rico e coeso na faixa. O álbum fecha com uma nota pura, simbolizando a reconexão consigo mesma. "Dorothy" é uma obra que mergulha nas profundezas emocionais da artista, proporcionando uma experiência cativante para o ouvinte. Um ponto que deixa um pouco a desejar é a construção sonora do álbum, as quedas bruscas nos instrumentais entre uma música mais pop e uma mais melancólica é algo que pode incomodar os ouvintes afetando a coesão sonora do projeto. O aspecto visual, a cargo de ANNAGRAM, Tammy e GABRIEL, consegue entregar uma estética visual coesa e necessária para uma boa execução do álbum. “Dorothy”, mesmo com alguns deslizes, ainda consegue ser um álbum de estreia necessário e bem trabalhado, prometendo um futuro marcante para Baby na indústria musical
TIME 81
A artista Baby lança ‘Dorothy’ e desponta na indústria com seu álbum de estreia. Pautado em cima do conceito de ‘O Magico de Oz’, a artista descreve o álbum como uma viagem em seu imaginário, mostrando feridas e dores da sua vida. O álbum começa com ‘my eyes are always sad’’, canção com versos melancólicos e estilo alternativo bem-marcado, do qual nos insere na mente do eu lírico e dos seus pensamentos conflitantes. A faixa acerta em nos transmitir os pensamentos e sentimentos da cantora, com delicadeza e profundidade em cada parte, mas falha em alguns momentos na estrutura lírica, por exemplo, um refrão demasiadamente longo. ‘Carousel’ continua com a temática instaurada durante a faixa anterior, porém entregando melhor estrutura lírica e um refrão mais consistente e polido, com ótimas metáforas empregadas acerca do carrossel, a terra do nunca e viver girando sobre as mesmas angústias. ‘Sorry’ introduz o ouvinte a um novo nível de tristeza, dessa vez envolvendo problemas familiares, neste momento, consolida-se como a melhor faixa em termos de expressão de sentimentos e, de quebra, a canção que mais gera empatia com o ouvinte. Focando em um dos grandes destaques do álbum, ‘Golden Feather’ consegue ser tudo o que há de mais puro e genuíno aqui, mostrando um sofrimento real do eu lírico frente a uma derrota. O verso 2 da canção tem as quatro melhores linhas do álbum, de forma sucinta a artista consegue expressar e resumir toda a dor sentida neste único verso. ‘American Dream’ é como uma continuação de ‘Golden Feather’ e se relaciona muito bem com as expectativas frustradas e quedas obtidas da faixa anterior, sempre muito intrinsicamente ligada aos sentimentos do eu lírico e daquilo que ele almejava, e o ponto mais forte é essa sensação de nunca conseguir ou nunca chegar lá, é bastante admirável a forma como a artista expressa estes sentimentos durante o álbum. Em comparação as suas antecessoras, ‘THE BATTLE AT GARDENS GATE’ soa deslocada e sem vida dentro do projeto, junto com ‘Slow Days’, as canções acabam por ficarem apagadas ao lado de suas irmãs. Ao lado de Jacob, Naomi e Steve, ‘Mona Lisa Frankenstein’ tem as melhores e mais criativas metáforas do projeto, tecendo uma lírica impecável e super coesa, explodindo em um refrão que não só amarra as partes da música, mas como exemplifica tudo o que escutamos do álbum até este momento. Como último destaque do álbum, temos ‘Clown’, que retoma toda a pressão sentida pelo eu lírico para ser perfeita, com todas as atenções voltadas para si. Nesta altura, o ouvinte já se encontra um pouco saturado da mesma temática, mas não tira o brilho da composição. Em aspectos visuais, é certo que o projeto poderia ter sido mais bem explorado, com tantas referências e momentos observados durante as canções, muito disso poderia ter sido utilizado na construção do encarte. O ponto alto fica por conta de sua fotografia, tendo os ensaios de fotos bem selecionados para composição da estética. Por fim, Baby realiza um bom trabalho em ‘Dorothy’, nitidamente sendo capaz de expressar seus sentimentos e falar sobre suas dores profundas, sem medo e abrindo o seu coração aos seus fãs mais fervorosos.

American Songwriter 73
Após anos de espera por um projeto de duração completa da artista, Baby, enfim, lançou seu primeiro álbum de estúdio. “Dorothy”, seu título, é inspirado na personagem homônima interpretada por Judy Garland em “O Mágico de Oz”, e por mais que tal influência acabe por não ser tão vista entre o conteúdo lírico do álbum que se segue, é um nome intrigante e que convida o ouvinte para a experiência de entender as dores, alegrias e esperanças da cantora dentro do universo que constrói ao lado de seus co-compositores. O projeto se inicia com a canção “My Eyes Are Always Sad”. Diferente de outras faixas introdutórias vistas em outros álbuns, esta não se encarrega de introduzir todo um universo; em vez disso, imerge nos sentimentos mais profundamente melancólicos da cantora, que co-escreveu com Sofia Grady sobre a sensação de que não consegue se mover para longe de onde a vida a colocou. É uma faixa interessante nesse sentido e já um dos destaques de todo o disco. “Carousel” segue a trajetória da tracklist; aqui, Baby se sente presa a si mesma, assim como na faixa anterior, mas expande a narrativa para apontar o que observa no mundo externo, aquele que ela não consegue acompanhar (“Sentada num cavalinho colorido / Assisto a vida passar lá fora / Enquanto existo confinada em meu mundo fantástico”). O tema se esvai um pouco na segunda faixa, mas Baby ainda mantém a história interessante ao ouvinte, algo essencial para o começo do álbum. “Sorry”, por sua vez, discute a relação pessoal de Baby com seu pai; o refrão e a ponte são seus momentos mais fortes, onde a cantora se despe de qualquer barreira e aponta para exatas emoções sobre a situação, enquanto os versos não chegam à altura do que a narrativa pede, sendo, assim, uma canção feita de momentos altos e baixos. “Slow Days”, faixa previamente lançada como single promocional, traz Baby e suas sensações de culpa pelas coisas ruins que acontecem não só a ela mesma como às pessoas que ela ama, e seus desejos de se isolar para que ninguém mais sofra como ela; apesar das boas intenções, sua lírica também não se mostra forte em um ritmo constante, tendo momentos impactantes e momentos que poderiam passar batido dentro de outras faixas. Em seguida, tem-se “Golden Feather”; abertamente descrita como uma canção sobre os sentimentos de Baby após não vencer um prêmio pelo seu maior hit single até então (que aparecerá mais tarde dentro do álbum “Dorothy”), mergulha em metáforas acerca de uma aparente queda de um posto onde a artista se colocou e a busca em se reerguer após perder o que achava que era certo para si mesma. Co-escrita com Alex Fleming, é uma faixa de pontaria dourada assim como seu título; sua refinada composição e produção musical elevam a faixa de um conceito meramente comum para algo único. “American Dream”, por sua vez, reúne Baby e Sofia Grady novamente na composição e é a faixa mais essencial do projeto até aqui: reunindo conceitos que envolvem o quanto a artista tenta se encaixar no “sonho americano” descrito e ironizado em sua letra, acaba representando a não-ironia de tudo o que a artista de fato já fez enquanto critica o sistema em que se insere, sendo um ótimo potencial para single futuro. “The Battle at Gardens Gate” é a faixa que prossegue o ritmo do álbum, mas liricamente, se desconecta do teor intimista que as canções anteriores apresentam; mirando em crítica social à falta de empatia da humanidade e se utilizando de referências religiosas, é uma música bem composta e produzida, mas não parece fluir tão bem dentro do álbum a ponto de transmitir a mesma verdade que outras faixas. “Mona Lisa Frankenstein”, single de maior sucesso da cantora até o presente momento, conta com a participação de Naomi, Jacob e Steve Bowie; nela, Baby se compara a uma pintura falsamente conhecida por sua beleza, mas que esconde seus horrores internamente. Ela e Bowie são os únicos da faixa a seguirem essa linha de pensamento, enquanto Naomi e Jacob passeiam por outras vertentes da discussão sobre imagem pública. Foi uma escolha acertada de single para iniciar a era do debut album de Baby, e continua sendo essencial dentro da história apresentada agora que o projeto está completo. Continuando na linha da faixa anterior, somos apresentados a “Circus Freak”, uma colaboração com a cantora Dallas; sua construção é direta ao ponto, mas nada rasa, trazendo as cantoras em uma reflexão sobre como elas são usadas de atração para que o mundo observe as duas, sendo uma faixa com potencial interessante de se trabalhar. Em seguida, “Clown”, apresentada como uma reflexão pessoal de Baby quanto ao modo como ela entretém seu público e se corrói por dentro, apresenta uma sinceridade vista apenas nas primeiras faixas do disco, retornando aqui com força total em um ponto alto dentro do projeto. “The Final Act”, um dos poucos momentos no álbum onde Baby compôs uma faixa inteira por conta própria, é também um dos momentos mais instigantes; apesar de chegar apenas na reta final da narrativa, entrega metáforas interessantes sobre o estado mental da artista após sua superexposição ao público nas faixas anteriores. Por fim, temos “Beautiful Ghosts”, que encerra a narrativa com um olhar mais introspectivo do que o já apresentado; aqui, Baby parece encontrar a sua real essência após buscar em tantos lugares e em tantas emoções, trazendo a sensação de encerramento que o álbum pede. Tendo sido lançada como single, prova-se uma escolha igualmente acertada, por se tratar de um dos pontos mais altos do CD. Visualmente, “Dorothy”, que contou com créditos de produção de ANNAGRAM, Tammy e GABRIEL, possui uma estrutura organizada e uma paleta de cores por vezes impecável, como no encarte, e por vezes capaz de confundir quem folheia o design, como no fundo extremamente claro para as partes textuais; a capa representa bem o conceito apresentado ao longo das faixas, sendo também um ponto positivo em análise. Por fim, Baby nos apresenta seu álbum de estreia com a promessa de ser o vislumbre mais pessoal que teremos dela; com uma quantidade de compositores impossível de não ser comentada, visuais instáveis e letras que variam de intensidade a todo momento, “Dorothy” passa a ambígua ideia de que a artista viveu tudo com a maior veracidade possível ao mesmo tempo em que ela pode ter apenas unido ideias que pareciam coesas dentro de si, mas cuja coerência não chegou ao resultado final.

Spin 78
"Dorothy" é o primeiro álbum da artista novata Baby, que chegou após o sucesso da música premiada "Mona Lisa Frankenstein", em parceria com Naomi, Jacob e Steve Bowie. O álbum é um trabalho pessoal mostrando as dores e ilusões vividas por Baby, mas trazendo inspiração na atriz e cantora Judy Garland, que atuou como Dorothy no filme "O Mágico De Oz". As melhores canções do álbum são incrivelmente bem escritas e mostram Baby de uma forma nunca vista antes. O primeiro destaque é a canção "Sorry", que funciona como uma carta de Baby para o seu pai, alguém que sempre foi ausente e não presenciou a sua criação. Os versos e o refrão são poderosos e entregam toda a melancolia presente na alma da canção, de uma forma esplêndida. Outra bela canção do projeto é o single promocional "Slow Days", que conta sobre a forma que Baby lida com a sua dor e como isso acaba afetando as suas relações familiares. Os versos são muito bem construídos, em especial o verso 2, que é a melhor parte da canção, e o refrão que também se mantém na mesma linha de qualidade da canção. "THE BATTLE AT GARDENS GATE" é uma canção muito interessante dentro do álbum, o single consegue ser bem escrito e não se torna algo extenso e entediante, sendo um ótimo ponto positivo a sua abordagem e desenvolvimento dos versos, que resultou em uma bela canção. Depois de algumas faixas não tão incríveis, o álbum se encaminha para o fim com a belíssima "The Final Act", a faixa é relativamente curta mas consegue entregar tudo que é prometido. Toda a escrita é muito bem feita e mostra um caminho que deveria ser seguido por Baby no futuro. Encerrando o álbum, temos a canção "Beautiful Ghosts" que traz uma composição forte e muito bem pensada, nessa canção Baby mostra o seu melhor lado como compositora e entrega versos e um refrão extremamente bem escritos e pensados. A canção encerra o disco de forma majestosa e finaliza toda a jornada vivida por Dorothy durante o álbum. Um ponto negativo do projeto é que as canções: Circus Freak e Clown, possuem temáticas parecidas, onde Baby se mostra uma pessoa frágil mas que sempre tenta agradar a todos ao seu redor. Esse ponto acaba sendo ruim, porque após ler o trabalho acabamos não entendo o motivo das duas canções estarem no álbum, podendo a artista descartar uma delas, e deixando apenas outra, assim deixando o conceito único e diverso. O visual responsável por ANNAGRAM, Tammy e GABRIEL acaba sendo fraco comparado ao quesito lírico do trabalho, a capa é bonita e mostra Baby como diferentes personagens do filme "O Mágico De Oz", sendo uma ideia interessante e legal. Já o banner e o encarte são simples e parecem ter sido feitos sem uma real intenção com o trabalho, possuindo poucas fotos e muito texto, sendo algo pouco atrativo para quem for conferir o trabalho. No geral, "Dorothy" é um primeiro álbum, que consegue mostrar um lado pessoal de Baby e em muitos momentos a cantora se arrisca em abordagens diferentes que dão certo, os destaques do disco são faixas incríveis e as que não são singles, deveriam se tornar futuramente pela cantora. O trabalho possui alguns erros, mas coisas comuns para qualquer debut album. "Dorothy" é um ótimo disco, que possui um conceito muito interessante e que teve um bom aproveitamento da cantora norte-americana.