All Music 70
A24 lança oficialmente a sua trilha sonora para o filme "Challengers", contendo a participação de vários artistas e diversos estilos musicais para narrar sonoramente a história do filme. "Only We Know" de Heccy inicia bem os trabalhos do álbum com uma música motivacional que eleva a autoconfiança do ouvinte, enquanto aponta o dedo para quem duvida do seu potencial. "Pressure" de St. Maud faz jus à tensão do filme e também contém uma atmosfera sensual na canção, mas peca no terceiro verso e na ponte, que acabam não sendo atraentes quanto o resto da canção. "Gone (Patrick's Tale)", embora seja uma canção ambiciosa na teoria, acabou entregando versos mornos e medianos, ficando na margem do superficial. "A Little Life" contém uma mensagem e lírica interessante, mas a composição muito extensa acaba fazendo a música se torna cansativa; e o refrão da música não empolga quanto deveria, podendo ter um conteúdo mais significativo. "upon our sleeves" é misteriosa, e bastante sensual, fazendo jus ao ar magnético do filme. "Wendy" apesar de hipoteticamente ser imersa na história do filme, não está tão conexa com a narrativa que o filme apresenta e pode ser considerada facilmente uma música qualquer sobre um relacionamento adolescente. O mesmo é visto em "Morphine", que apresenta uma composição baseada no sentimento da dor de uma separação, e a letra não transmite uma mensagem que impressione. "Don't Give Up" por Serina Fujikoso por outro lado é totalmente conexa com o filme, mas acaba pecando pelos versos mais rasos. A música não tem muita profundidade emocional para fazer a música crescer. "To Be Honest", apesar de ter potencial para ter uma composição mais intensa, apresenta uma boa narrativa pela cantora. Na reta final da soundtrack, algumas músicas como "Focus" e "Roleplay" se destacam pelas abordagens mais atrevidas e interessantes. A música de Alex Fleming é tensa, direta ao ponto e apresenta a tensão sexual necessária para conduzir as cenas mais sensuais do filme, sendo uma das melhores músicas do álbum. Enquanto "Focus" narra bem a tensão de um trisal, e a composição é graciosa. Uma observação é que duas músicas na soundtrack contém mesmo nome em "Match Point", de Aster e Alec, e também de Jamie Lynn e Sana Dawn Thomas. Isso compromete um pouco a criatividade, mas a canção de Alec e Aster acaba se sobressaindo. Visualmente o álbum contém uma estética agradável e básica, ideal para a proposta do filme. No geral, o álbum "Challengers - Original Motion Picture Soundtrack" contém altos e baixos durante o processo com algumas músicas que não estão conectadas diretamente a narrativa do álbum, mas também apresentam músicas que contam a história do filme em seus mínimos detalhes. Em alguns momentos, os artistas pecam em aprofundar os seus versos para entregar algo que faça o filme ser elevado, enquanto outros mostram a facilidade em depositar suas emoções nas músicas. Por fim, o álbum é um bom álbum de trilha sonora, mas que não é 100% conexo com a sua proposta.
Los Angeles Times 75
A24 Music lança oficialmente a trilha sonora do filme aclamado "Challangers", filme protagonizado pela atriz Zendaya. A trilha acompanha vários interpretes de vários estilos, embarcando nesse universo melodramático entre tenistas. Entre os destaques, uma narrativa na visão da personagem principal escrita e cantada por St. Maud, a faixa "Pressure" é muito bem elaborada e é uma leitura perfeita da personagem Tashi; "A Little Life", escrita e cantada por Courtney também não fica fora dessa leitura de personagem, neste caso, feita do Art; A demonstração de pressão, solidão e carência, como se entrasse na cabeça do jovem garoto nessa jornada difícil que enfrenta no filme; Courtney consegue trazer uma grande impacto emocional em seus versos, sendo sua canção um grande destaque. "Out of My League", de Vicky Van der Waals e Danny Wolf, que vai contrário das temáticas descritivas, aqui é uma música de tensão que descreve uma cena que é definitiva o grande destaque do filme; Com versos que traduzem uma grande batalha cheia de ego, confusão mental e, assim como no longa, você sente tudo como se fosse em câmera lenta, não é uma batalha vazia, há muito coisa acontecendo naquele momento e a canção consegue transmitir essa mensagem. "Wendy" de Maddie Taylor, uma das poucas canções da trilha que traz o personagem Patrick pro disco, é uma faixa cuidadosa e também se mobiliza pra trazer um lado sensível do personagem, que pra muitos que assistiram, acabaram por não ter essa empatia pelo seu lado, isso diz muito sobre a trilha ser mais focada nos personagens Tashi e Art. Outrora, a trilha também possui canções repetitivas, que abordam os mesmos assuntos, apenas com poucas diferenças de composições ou abordando um leitura do filme que é superficial pra a grandiosidade de pautas que o filme emplaca, como as canções "Roleplay", de Alex Flaming, "Our Game", de Malo, DAHLIA e B, "MATCH POINT", de Aster Major e Alec Weaver, e "Morphine", do cantor Kyeh; São canções com temas repetitivos, que não se aprofundam em seus versos, outras saem do eixo do que poderia ter sido trazido de interessante de "Challengers". As demais canções não se destacam tanto quantos as citadas, mas também não demostram um grande desvio de foco, sendo canções de conforto. O visual é simples, clássico de uma trilha sonora, com cenas do filme estampadas em seu encarte, sem muito contexto visual, visto que aqui a intensão é o que as canções conseguem traduzir do longa. Por fim, "Challengers - Original Motion Picture Soundtrack" é interessante, com pontos muito altos e também muito baixos, cada artista teve sua liberdade de escrita individual, o que ocasionou de muitas dessas faixas esbarrarem na mesma narrativa, todavia, também, demostrou o talento de alguns em trazer algo mais profundo, mais arriscado e que, na maioria das vezes, passou despercebido no longa. É um disco que vai te intrigar, no bom sentido, mesmo ocasionando alguns skips.

American Songwriter 75
A trilha sonora de Challengers, o grande sucesso do verão de 2024, é um disco que tenta capturar as emoções e histórias do filme. Com uma variedade de artistas, o álbum oferece uma gama de estilos musicais e perspectivas. O disco começa com Only We Know, de Heccy, que lida com a diferença entre o que é familiar e o desejo de alcançar mais. A faixa é uma boa introdução, trazendo uma sensação poética que encaixa bem com o tema do filme. Pressure, de St. Maud, se destaca com sua energia e confiança. A música reflete a força da personagem Tashi, interpretada por Zendaya, e faz isso de forma marcante, contribuindo bem para a história do filme. Gone (Patrick’s Tale), de Lucca Lordgan, aborda a sensação de ser substituído em um relacionamento. Apesar de ser uma faixa direta e acessível, pode parecer um pouco rasa em termos de profundidade emocional. A simplicidade, no entanto, pode ajudar alguns ouvintes a se conectarem com o tema da perda. Upon Our Sleeves, de Petter, traz uma mudança refrescante com um som dance e fala sobre um relacionamento não convencional. A faixa mostra que Petter pode explorar novos estilos e temas de forma criativa. A Little Life, de Courtney, é um dos melhores momentos do álbum. A música fala sobre a busca por perfeição para agradar alguém, e Courtney faz isso com muita profundidade emocional, oferecendo uma experiência auditiva rica. Wendy, de Maddie Taylor, fala sobre dor e rejeição após o fim de um relacionamento. Embora a faixa possa parecer repetitiva, a honestidade e vulnerabilidade da letra a tornam memorável. Don’t Give Up, de Serina Fujikoso, traz uma mensagem de esperança e encorajamento, apesar de não estar totalmente ligada ao filme. A faixa tem um tom inspirador que contrasta com o resto do álbum. To Be Honest, de Allison, e Focus, de Anne Ritchie, exploram temas introspectivos que podem parecer fora de lugar no contexto do filme. No entanto, ambas mostram a habilidade dos artistas em capturar sentimentos complexos. Roleplay, de Alex Fleming, explora as relações entre os personagens Tashi, Art e Patrick. Embora a ideia não seja completamente nova, a faixa mantém o interesse com momentos experimentais. Visualmente, o álbum tem um estilo metálico que combina com o filme, embora o uso de textos temporários possa confundir um pouco. No geral, a trilha sonora oferece uma variedade de músicas que capturam diferentes aspectos do filme. Mesmo que algumas faixas pareçam desconectadas, o álbum vale a pena para quem quer explorar a música dos artistas envolvidos e a diversidade de estilos presentes.

The Line Of Best Fit 77
A trilha sonora do filme “Challengers”, um dos maiores sucessos cinematográficos do último verão de 2024 (ano 12), chega com o propósito de reunir alguns dos artistas mais comentados do momento para eles mesmos comentarem, musicalmente e com suas próprias palavras, os acontecimentos do filme e as sensações dos personagens envolvidos. “Only We Know”, primeira faixa do disco e composição de Heccy, descreve a dicotomia entre “praticar apenas o que se conhece” dentro do universo dos protagonistas e almejar por voos mais altos do que o coração deseja. É uma entrada bem-vinda não só para a discografia da artista como também para os pontos de vista da história do filme. “Pressure”, adição de St. Maud para a trilha, se coloca nos pés da personagem Tashi, vivida por Zendaya, em uma posição de superioridade e de autoconfiança extremas. No modo como Maud expressa as emoções mais egoístas da narrativa, a faixa brilha nesse que é seu diferencial. “Gone (Patrick’s Tale)”, canção de Lucca Lordgan, visita os sentimentos do personagem de seu título quando se sente emocionalmente substituído por outra pessoa na vida de alguém que ele acreditava amar de forma profunda; a abordagem superficial, apesar de não comprometer a mensagem, deixa o ouvinte em um estado inerte quanto à importância da faixa dentro deste projeto. “Upon Our Sleeves”, de Petter, troca o estilo pop típico de seu autor por uma imersão na dance music e versos que discutem a urgência da descoberta de um relacionamento que não seria bem visto aos olhos de um público mais conservador, espelhando-se na relação entre os três protagonistas do filme; é uma canção que reinventa o conceito dentro do projeto e também o leque de criatividade de Petter. Já “A Little Life”, de Courtney, é um alt-pop que se coloca na pele do personagem Art na busca de uma perfeição própria motivada não por querer de fato ser o melhor nas áreas que precisa, mas sim para agradar a outra pessoa que exige dele tudo o que ela mesma gostaria de ser. É um dos destaques positivos do álbum no modo como Courtney se imerge nas emoções e deixa o ouvinte a par de todos os lados da situação. “Wendy”, de Maddie Taylor, revisita o tópico visto em “Gone (Patrick’s Tale)”, mas desta vez, no modo como o personagem Art se sente deixado para trás por Tashi, protagonista feminina que movimenta os dois homens da história, sob as lentes de um amor juvenil. A composição mergulha e se esbalda na proposta que faz a si mesma, sendo esse seu toque de destaque, com ênfase no refrão, fácil do público se identificar junto. “Don’t Give Up”, entrada de Serina Fujikoso para a trilha sonora, coloca o eu lírico na posição de alguém que entende seu poder sobre as emoções de outra pessoa e as usa para que seu interlocutor continue a melhorar em todos os seus aspectos profissionais, sob a promessa de um amor retribuído no final caso isso aconteça; trata-se de uma abordagem pouco pensada sobre o filme, mas que, sob os versos da cantora, faz mais sentido conforme o tempo da canção passa. “To Be Honest” representa a faixa de Allison para o disco; a letra culpa os pensamentos intrusivos pela vontade que a personagem tem de trair a confiança amorosa de seu parceiro, constituindo uma composição que se distancia mais da proposta do filme, mas que possui elementos interessantes de serem vistos numa ótica mais isolada. “Focus”, de Anne Ritchie, passa pela mesma situação de “To Be Honest”: canções que mergulham demais em um sentimento explorado de forma diferente na obra de inspiração, mas que funcionam melhor separadas dos projetos onde foram incluídas. Ritchie entrega seus vocais de forma misteriosa, sendo esse um adicional para sua faixa. “Roleplay”, canção de Alex Fleming, imerge-se na mente de Tashi enquanto desenvolve uma ideia de se envolver romanticamente com Art e Patrick ao mesmo tempo e as consequências públicas disso; por ser uma abordagem já vista anteriormente, ainda que de forma não proposital, a faixa de Fleming perde seu destaque, mas mantém um pouco de sua notoriedade em trechos mais experimentais após o segundo refrão, tornando-a uma adição curiosa na discografia do artista. Em um último aspecto de análise do CD, tem-se a produção visual, marcada por tons metálicos e justaposição de cenas e bastidores do filme “Challengers” que não desafiam as normas de um desenvolvimento imagético, mas que combinam com as propostas e perspectivas das faixas, salvo uma questão negativa quanto ao uso de textos “lorem ipsum” - parágrafos colocados temporariamente para que os textos definitivos sejam inseridos num futuro, mas que prejudicam a compreensão do ouvinte se permanecidos por um tempo mais estendido. Em suma, “Challengers: Original Motion Picture Soundtrack” é um projeto diferenciado no modo como reúne artistas dos escopos mais variados em busca de retratar o máximo de pontos da obra inspiradora; ainda que se perca nessa variedade limitada a partir da segunda metade de sua tracklist, resultado das colocações do ranking que originou sua organização, ainda é um lançamento que vale ser conferido para um conhecimento primário de todos os artistas escolhidos para cantar no filme.