
Billboard 75
Depois de um grande tempo desde o último lançamento do seu álbum de estúdio, a cantora J. Olly retorna com seu quinto disco, intitulado "SCREAMS". Com uma premissa mais pessoal, a cantora associa o título com gritos sobre problemas pessoais, sociais e até mesmo insegurança, uma referência à saúde mental, sendo mais específica. Com uma intro liricamente forte e ecoante, a faixa-título, que abre o disco, traz linhas de angústia, dores, inúmeros sentimentos árduos, que não se explicam até este momento, mas causam uma curiosidade impactante pra dar continuidade ao disco, ou seja, uma introdução que faz jus à sua proposta como faixa de abertura. No entanto, ao passar de "Faded Chalk Lines", colaboração com a grandiosa Hurrance Evans, e "Ocean Eyes", o que poderia dar uma abertura pra algo mais intimista, com a cantora sendo protagonista, ou não, dos "gritos", ambas as faixas tratam de temas gerais, visando terceiros. Uma canção sobre o passado da juventude das pessoas com ligação ao avanço da tecnologia, onde tudo soa raso, sem aprofundamento e contexto em si pra conectar o ouvinte a essas dores. Logo após, "Ocean Eyes", que soa como uma balada triste, também sem grandes aprofundamentos e sem um toque de personalidade que possa trazer essas canções como características de J. Olly, onde, no fim, as duas poderiam ser cantadas por qualquer outro artista. Em "Fly Down", com participação da grande compositora Stelar, já há um toque diferencial, específico e pessoal, onde ambas se entregam emocionalmente sobre um relacionamento prejudicial, cada uma com sua forma sentimental de se expressar, sendo um grande destaque. "Suffocating Silence" pode-se dizer ser um grande hino ao tratar a ansiedade de forma sufocante, como leva a palavra em seu título; J. Olly brilha, e cada verso é exatamente uma crise desesperadora, com questionamentos e pensamentos altos, também outra canção que brilha e reflete exatamente o conceito do disco. Em uma reviravolta, a partir da canção "7even Days Of Sin", pode-se observar um retorno da antiga J. Olly, com seu âmbito mais ácido e afiado, o que se estranha, visto que há ascensão de segurança, de voz e poder nas faixas "Natural Disasters" e "Ghosts Of Trust", onde a cantora foge desse lugar que vinha sendo construído de vulnerabilidade emocional, para algo totalmente oposto. Há uma tentativa de retorno com "Signed: Monster", com uma pegada ainda mais afiada, mas num cenário sentimental diferente, porém, não com tanta força após uma grande quebra no meio do projeto. Já em "Emo King (Mr. Emotional)", você consegue sentir o que a cantora deveria ter seguido após "Suffocating Silence", por exemplo. Aqui há uma canção que fala sobre impulsos, um debate que pode ser visto como introspectivo de primeira, porque soa como se estivesse desabafando dentro da sua própria mente, sobre seus próprios atos e consequências. Em "Babel’s Curse", há uma continuidade sobre essa grande insegurança que amaldiçoa, ou amaldiçoava, sua vida, agora usando metáforas sobre a cultura mesopotâmica, rica em elementos históricos e grandes conexões que não se resumem em linhas superficiais. Finalizando com o grande hit "Ni**er Never Misses A Shot", a canção super aclamada, com uma grande e preciosa letra e conceito, torna-se frágil dentro do contexto que o álbum propõe. Apesar da ideia de um contraponto ao colocá-la como fechamento do disco, sua estrutura e a forma como a rapper e cantora se expressa não soam nem um pouco como as demais canções. Seu pretexto seria mais forte e impactante no disco anterior do que especificamente neste. O visual assinado por Penélope traz a cantora em cenários de medo, angústia, insegurança e desespero, o que conecta diretamente com a base do disco. Com paletas de cores que combinam entre si, sem exagero e, ao mesmo tempo, minimalistas de forma positiva, há uma decisão de deixar o encarte com um aspecto de arranhado, "sujo" ou antigo, que pode ser compreendido como esse lugar de imperfeição. Por fim, "SCREAMS" tenta levar J. Olly pra um cenário mais introspectivo. No entanto, a cantora e rapper não parece ainda estar totalmente aberta pra se abrir completamente sobre os temas que propôs retratar. Há grandes destaques como "Suffocating Silence", "Emo King (Mr. Emotional)" e "Babel's Curse", ao mesmo tempo, canções que parecem faixas descartadas do seu disco anterior, o polêmico e afiado "utopian-fucking Society", mostrando que ainda há esse apego com sua Era antiga, mesmo com a diferença de tempo entre ambos. J. Olly é uma grande compositora, e sua criatividade transcende em cada lançamento. Porém, em "SCREAMS", faltou uma atenção maior na sua organização e nas escolhas de algumas faixas para adentrar o projeto final.

Pitchfork 77
Conhecida por sua atitude sempre confiante nos palcos, nos estúdios e nas músicas que entrega ao longo de seus anos de carreira, J.Olly promete um momento mais introspectivo em sua personalidade artística com “SCREAMS”, seu mais novo álbum. A autora quer imergir seu público nas mesmas sensações de agonia que ela mesma sentiu enquanto buscava novos conteúdos sobre os quais falar em suas músicas; isso é notório já na primeira faixa, que também dá nome ao CD e serve como uma introdução justa aos seus temas, sem atropelar a si mesma e focando na construção do estado psicológico que ela quer que o ouvinte sinta junto. “Faded Chalk Lines”, segunda faixa do álbum, é também uma colaboração com Hurrance Evans, e seu conteúdo é uma lamentação sobre como tempos mais áureos e inocentes não voltam mais para as protagonistas da história contada. Aqui, apesar da introspecção da primeira canção dar lugar a traços da personalidade mais confrontante e, portanto, já conhecida de J.Olly, são os versos de Evans que a puxam de volta para a realidade mais muda de emoções. “Ocean Eyes” muda a estrutura do universo construída até o momento para apresentar uma versão mais metafórica de J.Olly, onde ela coloca seus pensamentos como impenetráveis e difíceis de serem decifrados em meio ao turbilhão emocional que vive. “Fly Down”, lançada como um dos singles da era, é uma collab com a cantora Stelar, que imerge nas emoções de quebra de confiança (seja esta própria ou referente a outro indivíduo) e forma uma interessante harmonia lírica com a rapper, sendo um dos pontos positivos do projeto. “Suffocating Silence”, faixa seguinte do projeto, talvez seja a primeira vez em que o tema possa soar repetitivo e um tanto quanto já familiar, no sentido de que já fora explorado pela própria artista no começo do álbum com menos rodeios do que nesta faixa. O ritmo é rapidamente recuperado por “7even Days of Sin”, onde cada verso narra um pouco do estado psicológico do eu lírico referente aos sete pecados capitais. Sua estrutura é divertida de se acompanhar e faz jus a sua escolha como single. “Natural Disasters” narra o modo como J.Olly se sente enraivada pelo tratamento menos que estelar que recebe de alguns parceiros ao longo de sua vida; conforme prometido na proposta do álbum, é aqui que a personalidade mais confiante da artista ressurge, o que justifica sua presença na tracklist. A vulnerabilidade vista anteriormente só retorna com “Signed: Monster”, que retoma a aura remetente a momentos mais inocentes contrastados com a dura realidade da vida narrada pela autora em colaboração com Dasha Taran, e que aqui, forma um ótimo potencial para single também. A produção visual de “SCREAMS” é assinada por Penelope e possui seus pontos positivos, como a uniformidade na progressão das fotos escolhidas e a tipografia, mas também seus pontos medianos, como a sensação de que a ambientação e a estrutura do encarte não parecem acompanhar as fotografias. Ainda assim, não tira o mérito de “SCREAMS” como um disco que prova novos lados de J.Olly enquanto pessoa, enquanto não abre mão das características que a tornaram conhecida no cenário do hip-hop, faltando apenas um equilíbrio mais bem medido entre esses lados.

Rolling Stone 68
Em “SCREAMS”, o quinto álbum de estúdio da estrela do hip-hop J.Olly, somos apresentados a algumas de suas faces mais vulneráveis, incluindo uma jornada não-linear até seu processo de recuperação de estima própria. A produção visual deixa claro o intuito confessional e etéreo das faixas, utilizando-se de tons terrosos em suas páginas de encarte para demonstrar tal conexão com “os pés fincados no chão” da realidade; produzido por Penelope, o álbum possui um visual com ideias interessantes, mas que são muito dependentes de suas imagens e carecem de elementos maiores que complementem o universo apresentado. Em “Screams”, primeira faixa do álbum e que dá título ao mesmo, a artista soa como um emaranhado de gritos abafados dentro de sua própria alma, se comparando a inúmeras metáforas que remetam à sensação de sufocamento. O que poderia ser uma ótima tese de introdução aos temas a serem retratados nas faixas seguintes, termina por não esboçar tanta originalidade quanto poderia por tal motivo. “Faded Chalk Lines”, parceria com a cantora pop Hurrance Evans, lamenta sobre os prazeres da inocência da infância terem dado lugar às adversidades maduras da vida adulta. Com questionamentos perspicazes, mas praticamente lançados à narrativa sem agregar tanto à mesma, ela segue problemas de desenvolvimento parecidos com os da faixa anterior. “Ocean Eyes”, lançada como single promocional meses antes do álbum, utiliza-se de cenários relacionados à água para atestar como seu coração e seus pensamentos parecem impenetráveis ao resto do mundo e, portanto, podem parecer destrutivos para este; sua composição, embora menos linear, é mais pessoal do que as anteriores mostradas, trazendo um lado mais místico da artista. “Fly Down”, sucesso como single e colaboração com a cantora Stelar, traz mais questões, desta vez, envoltas em uma história mais bem definida sobre o sentimento de quebra de confiança entre as artistas e uma pessoa a quem elas se referem. É uma faixa cheia de intenções sinceras, e por vezes sua sinceridade ultrapassa o realismo, em frases como “But since when do young people suffer from Alzheimer?”, mas mantém sua genuinidade ainda assim. “Suffocating Silence” traz de volta os temas discutidos já na faixa-título do CD anteriormente, como a sensação de sufocamento interno e o caráter autodestrutivo do eu lírico, porém, faz isso de forma mais direta e, portanto, chegando mais rapidamente ao ápice sem saber mantê-lo, algo que enfraquece sua estrutura de versos com o decorrer deles. “7even Days of Sin” possui uma das composições mais inventivas do álbum, e seu título ambicioso revela uma letra ainda mais ambiciosamente desenvolvida, retratando cada dia de uma semana na vida de uma mulher disposta a cometer os sete pecados capitais. “Natural Disasters” traz um sentimento maior de indignação e de raiva de J.Olly diante de relacionamentos fracassados; em cada verso, ela se direciona a um homem que não a tratou como ela merecia ser tratada e dispara palavras de rancor contra eles. É a virada de chave do tom que a rapper dá para a segunda metade do álbum, algo que também notamos em faixas como “Ghosts of Truth”, que mantém o tom agridoce, mas dessa vez, direcionado a amizades que acabaram por não caber mais de forma certa em sua vida. Ambas as faixas, apesar de demonstrarem uma atitude mais radical, também soam repetitivas dentro de si mesmas, no modo como iniciam já com suas teses devidamente apresentadas e com embasamento lírico que pouco muda a percepção do que está sendo apresentado. “Signed: Monster”, colaboração com a cantora alternativa Dasha Taran, emprega a agressividade das duas faixas anteriores, une-a a uma percepção pessoal dos acontecimentos envolvendo a criação de um filho que se torna a antítese da sociedade e forma uma das faixas mais impactantes do álbum, com ótimo potencial para futuro single e um destaque alto devido ao resto das canções pouco usarem da pessoalidade e da atitude que esta possui. “SCREAMS”, que deveria marcar uma nova faceta de J.Olly enquanto artista, mostra mais um desgaste de suas habilidades do que uma renovação destas, e apesar de algumas canções serem bons destaques, soam como pontos isolados dentro do conjunto total.