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slant publicou uma avaliação em 04/10/2026: 92
Violet Turner apresenta seu novo Extended Play, "Black Lace & Holy Water", um projeto especial de Halloween que transita pelo Alternative, Dream Pop e Rock ao longo de seis faixas. O que chama atenção é a maneira como a cantora utiliza o imaginário clássico do horror para falar sobre sentimentos muito mais humanos do que sobrenaturais. As referências ao gênero aparecem como uma forma de representar experiências e conflitos que não dependem do fantástico para causar desconforto. Essa escolha faz com que o conceito vá além de uma simples estética gótica. "Black Lace & Holy Water" encontra sua identidade na relação entre desejo e culpa, colocando esses sentimentos em histórias que parecem pertencer ao mesmo universo, mesmo sem formar uma narrativa única. Violet não conta uma história contínua, mas cria diferentes situações que compartilham a mesma atmosfera e, conforme o projeto avança, aproximam o horror de experiências reais. A construção das seis faixas é um dos pontos mais interessantes de "Black Lace & Holy Water". Mesmo sem seguir uma narrativa tradicional, Violet cria uma progressão muito clara, fazendo o horror mudar de função conforme o EP avança. O que começa ligado à sedução e à obsessão aos poucos se torna mais íntimo, até chegar a um encerramento que questiona a própria ideia de quem merece ser chamado de monstro. Essa mudança impede que o projeto fique preso apenas à estética de Halloween e faz com que o conceito tenha um peso maior dentro das músicas. Ainda assim, existem momentos em que Violet parece confiar demais no universo que criou, e algumas imagens acabam soando mais interessantes pela estética do que pelo impacto que realmente provocam. É um problema pequeno, principalmente porque o EP consegue manter uma identidade bastante coesa sem repetir a mesma fórmula nas seis faixas. No fim, "Black Lace & Holy Water" funciona melhor justamente quando deixa o sobrenatural em segundo plano e permite que seus medos mais humanos ocupem esse espaço. Liricamente, "Black Lace & Holy Water" apresenta uma escrita bastante consistente ao longo das seis faixas. Violet transita bem entre versos mais diretos e momentos em que prefere desenvolver uma ideia através de metáforas, sem deixar que essa diferença torne a composição irregular. A repetição também é bem utilizada em alguns refrões, principalmente quando serve para reforçar a tensão ou a obsessão presente na narrativa. Por outro lado, existem momentos em que sua escrita recorre a construções e imagens muito comuns dentro do gênero, fazendo com que alguns versos sejam previsíveis e tenham menos impacto do que poderiam. Entre os maiores destaques estão "Bury Me in Something Pretty" e "Sweet Dreams, Little Monster", que apresentam uma escrita mais segura e desenvolvem suas ideias com maior precisão. A primeira chama atenção pela maneira como constrói a metáfora do enterro ao longo da letra, enquanto a segunda trabalha uma narrativa simples e consegue mudar sua interpretação conforme a música chega ao fim. "Séance for Two" também merece destaque pela construção dos dois pontos de vista e pela forma como as informações vão sendo reveladas aos poucos. No geral, a britânica demonstra domínio da própria escrita e mantém um nível alto durante o EP, mas ainda pode ousar mais na escolha das palavras e fugir de algumas soluções que já são familiares dentro desse tipo de composição. Visualmente, "Black Lace & Holy Water" é um grande acerto. Kaleb Woodbane, responsável pela produção visual do projeto, entrega um trabalho de alta qualidade. O encarte consegue acompanhar a proposta das músicas sem parecer exagerado, com uma direção de arte que combina bem com o clima do Extended Play. A fotografia e a tipografia ajudam bastante nessa construção, dando a impressão de estarmos diante de páginas de uma história antiga. É um trabalho bonito, bem pensado e que mostra o cuidado em construir uma identidade visual que realmente conversa com o projeto. "Black Lace & Holy Water" pode até apresentar escolhas que funcionam melhor do que outras, mas isso pouco interfere no resultado final. Violet constrói um projeto muito coeso, com uma identidade bem definida e uma escrita que se mantém interessante ao longo das seis faixas. O mais interessante é perceber como ela consegue explorar um universo tão conhecido sem fazer o EP parecer apenas mais um projeto de Halloween. Existe personalidade na forma como as histórias são contadas, cuidado na produção e uma direção visual que complementa muito bem o que foi construído nas músicas. No fim, o EP reforça as qualidades que fizeram de Violet uma artista tão reconhecida ao longo da carreira e ajudam a entender o Global Icon Honor Award que ela recebeu no BRIT Awards. "Black Lace & Holy Water" mostra uma artista segura do que quer fazer e capaz de transformar uma proposta aparentemente simples em um trabalho marcante dentro de sua discografia.
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