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Em seu primeiro álbum de estúdio, Heccy se mostra disposta à se colocar no mesmo nível de grandes artista veteranos da indústria da música com o seu criativo e bem elaborado ‘ECLIPSE’. Além de toda a sua temática ser indiana, por ser da nacionalidade da cantora, o álbum conta uma história farta de referências e de forma coesa, começa e termina de forma magnifica e com composições de grande porte. O álbum começa com ‘Mysteries’, que tem um instrumental suave e intenso ao mesmo temo, com uma letra de introdução ao álbum muito bem composta e contém uma proposta por trás muito bonita. A cantora mergulha em algumas referências egípcias para fazer o seu trabalho fazer mais sentido, que usada de forma correta, acaba dando muito certo na canção. ‘Never Lied’ é uma música que transmite emoção através do verso, pela sua incrível composição, se destacando como uma das melhores faixas do disco. A faixa fala sobre assuntos tão atuais através de uma visão indiana antiga, fazendo com que o seu trabalho seja rico em conteúdo. Seu instrumental é um triunfo, que se encaixa perfeitamente com a letra da música. ‘Choices’ tem uma mensagem muito forte por trás: a libertação da sua alma em passos de bebê. É gratificante ver como a letra é desenvolvida, ao contar uma história detalhada em mínimos detalhes em seus versos, apesar de alguns parecerem tão direcionados à fazer uma referência específica que acaba quebrando um pouco o clima na hora da degustação, mas nada que prejudique a imensa qualidade da música. ‘Interpreter’ contém um jeito interessante na forma em que o título é inserido, ao citar que precisa de um interprete para quebrar barreira em relação ao seu parceiro. É uma faixa que exala criatividade de forma não tão complexa, mas ainda com uma forte onda de sentimentos. ‘Ungodly Hours’ é uma das melhores faixas do álbum, dando destque ao verso intenso que Jade X adiciona na música. As duas parecem extremamente conexas com o que estão cantando e também entre si, sendo uma parceria que adiciona algo relativamente positivo ao álbum. Já ‘Eclipse’, faixa título do álbum, é uma música que contém uma composição bastante conteúdo pessoal, como se a artista estivesse expondo de dentro para fora nos seus versos. Talvez, não fosse a canção ideal para ser o primeiro single do álbum com tantas letras superiores, porém, a música em si se encaixa perfeitamente na história e contém uma composição encantadora. ‘Holy Ground’ contém o sentido clichê que vemos em quase todos os álbums existentes: música motivacional, mesmo que seja para crescimento e libertação própria. O diferencial em ‘Holy Ground’ é como a artista utiliza do conceito do álbum e da sua cultura para fugir um pouco desse ‘mais do mesmo’. A composição no final das contas acaba se tornando algo que é clichê, mas que contém o seu diferencial positivo em todas as partes. Destaque para o refrão, que mesmo um pouco longo, é bem cativante e bem elaborado. ‘New Direction’ é a faixa mais fraca do álbum, onde apesar da cantora demonstrar seguir novos rumos em relação a personagem do álbum, a faixa não consegue fugir de alguns versos que deixam a desejar. ‘Golden Hour’ encerra o álbum coma melhor até então, englobando todo o conceito do álbum e finalizando a história com excelência em cada verso da canção. A faixa bônus, em colaboração com a cantora Asha, é uma música que é não é desconexa com o sentido do álbum em si, mas faz um pouco de sentido não tê-la na história principal e sim como um adicionou. Os versos são muito bem criados, a adição da cantora que já tem um envolvimento com a cultura indiana é um triunfo na música, fazendo crescer em conteúdo. Seu visual é um grande acerto em todo o álbum, ele é limpo e bem feito e apesar de não ter um impacto tão grande quanto outros artistas, condiz totalmente com a proposta do álbum e é bonito de ver como a sua simplicidade faz o álbum parecer mais coeso. O álbum é incrivelmente coeso, vai da primeira música até a faixa bônus traçando uma história em particular sem conter músicas \'fillers\', o que normalmente é fácil de encontrar quando um artista de perde na história e acaba colocando músicas desnecessárias, o que não é o caso do \'Eclipse\'; o álbum traça a narrativa de forma séria e ampla da história de Parvati. Um detalhe apenas para o visual do álbum seria a página de algumas músicas com a letra clara em fundo claro, como no caso de ‘New Direction’; que não é algo que afete, mas é algo que acaba incomodando quando a avaliação depende da leitura. ‘ECLIPSE’ é uma grande surpresa vindo de uma artista que não teve muito barulho em torno da carreira com os lançamentos dos singles, mas com o lançamento desse álbum grandioso, o mundo está mais do que pronto para conhecer a história que Heccy tem a contar em um dos melhores álbums de estreia da indústria musical. Criatividade: 20 / Coesão: 22 / Visual: 23 / Composição: 30

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Parece que a nova geração de artistas do Famous, chegou em seu ápice. Em um curto espaço de tempos, a indústria ganhou inúmeros novos artistas com um talento nato, e dedicação surpreendente. Não é exagero dizer, que muitos conceitos empregados em novos trabalhos, superam muito o trabalho de artistas veteranos. Ainda que esse não seja o ponto dessa review, não poderíamos deixar de contextualizar. Agora, de forma surpreendente, Heccy apresenta ao mundo o seu trabalho de estreia, com uma influência em música indiana e inspirado em contos de sua nação. Você pode se sentar, e ouvir de forma harmônica os contos de Shiva & Parvati. Mas acalme-se, o disco não se trata apenas disso. De forma inteligente, a novata conseguiu transcender a sua arte em sua própria vivência. Demonstrando uma habilidade como compositora sem igual. Ao mesmo tempo que o ouvinte consegue compreender as oscilações entre o que é conto e o que é real, ele se sente tão envolvido na história, que simplesmente não importa. Soa como uma combinação de angústia milenar e emoção humana. Mais uma vez, a arte consegue captar o que há de melhor nos artistas e transmitir mensagens e sensações raras. Sua sonoridade influenciada pelo pop/alternativo, com elementos culturais indianos, transformam o “Eclipse” em um projeto ainda mais místico e misterioso. Nesta obra, não faremos um track by track, visto que outras reviews já abordaram o disco dessa maneira. Porém, vamos destacar as faixas “Never Lied”, “Choices” & “New Direction”, como as melhores de todo o projeto. E é importante frisar, que dentre às 11 faixas desse trabalho, não existe nenhuma faixa ruim ou tolerável. São todas extremamente boas e genuínas, da primeira à última, cada faixa nesse disco é uma viagem em uma narrativa rica e muito bem explorada. Com estruturas bem detalhadas e referências ricas, são canções lindas e emotivas, literal e figurativamente fascinante. Heccy entrega um álbum coeso e muito interessante de se ouvir. Podemos dizer que “Never Lied” & “Choices”, são as faixas que mesclam o historicismo e misticismo com a atualidade, fazendo um paralelo muito interessante. Enquanto “New Direction”, a melhor faixa desse álbum, apresenta um arco lírico perfeito, com uma reviravolta surpreendente. Como dito anteriormente, todas as faixas são especiais nesse contexto, no entanto algumas vezes sentimos a repetição de temas e estruturas que acabam criando uma redundância lírica. Nada que atrapalhe a progressão do disco, mas é importante a menção. Esteticamente o disco é muito interessante, e bem trabalhado. A cantora trouxe suas influências culturais para estampar cada página do encarte do trabalho. Heccy trabalhou em todos os detalhes com muita atenção e dedicação. No entanto, sentimos o visual de certa forma “redundante”, sem muita variação de página pra página. Seguindo o mesmo padrão. Não que isso seja um ponto negativo, é apenas uma impressão que marcou. Outro ponto positivo, é a apresentação do álbum. A cantora trouxe tudo: conceito, track by track, e outras explicações que ajudam a crítica trabalhar melhor. Em “Eclipse”, a música pop de outrora se torna mais do que apenas alguns versos feitos para as paradas. Heccy o usa como uma ferramenta para contextualizar suas memórias, experiências e herança cultural. Em conjunto, o álbum é uma imagem complicada do passado, presente e futuro da cantora. Em um forte paralelo do que é sua vida pessoal do que é místico. É raro ver um álbum de estreia com uma voz e visão totalmente realizadas por trás dele -um conceito tão bem elaborado -. Além do mais, ela exorciza seus demônios pessoais em meio a alguns dos melhores pop do ano. Tudo o que precisamos saber sobre a novata é, ela é um mestre e essa é a sua obra-prima. Ainda, que sempre seja perigoso aclamar um álbum como um clássico antes que o tempo tenha a chance de dar o seu veredito. No entanto, “Eclipse” certamente parece um! Este é um clássico indiano que ficará marcado no ocidente. Heccy, simplesmente entregou uma obra que merece todos os elogios que recebe. NOTAS: [COMPOSIÇÃO – 33/35] – [VISUAL 26/30] – [COESÃO 18/20] – [CRIATIVIDADE – 15/15].

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A genialidade e capacidade narrativa de Heccy são mostradas em \'Eclipse\', primeiro álbum de estúdio da cantora indiana. Em primeiro lugar, é essencial ressaltar o grande planejamento conceitual da artista por trás do álbum, se propondo a construir uma narrativa extremamente coesa e criativa, que se relacionam com conceitos novos, dos quais foram pouco explorados, trazendo alta inovação ao trabalho. O projeto se inicia de forma positiva com \'Mysteries\', trazendo o primeiro contato com a história que será contada ao ouvinte, nesta faixa, a artista constrói os sentimentos de uma relação conturbada através de metáforas envolventes e bem colocadas. \"Preso pelas paredes que você construiu ao seu redor/ fingindo ser imune a todo amor que lhe ofereço\". \'Never Lied\' e \'Choices\' também se mostram boas faixas, entretanto, o destaque desta parte do álbum fica por conta de \'Interpreter\', o nível de detalhamento e carga emocional presentes na composição fazem ela se sobressair perante as anteriores. \'Ungodly Hours\', \'Eclipse\' e \'Holy Ground\', em sequência, são o ponto ápice do álbum, a transição entre as três é feita perfeitamente, mostrando momentos de melancolia, tristeza e solidão, terminando onde começa à luz da protagonista em Holy Ground, quebrando a linearidade construída ao longo da narrativa. Aliás, um dos pontos negativos do projeto, mais perceptível em suas primeiras e últimas faixas, é a linearidade que se segue entre as músicas, carecendo de grandes picos emocionais por parte da composição empregada. \'Push Me Down\', \'Golden Hour\' e \'New Direction\' apresentam ótimas composições, porém, embora apresentem conceitos belíssimos, na prática (composições) acabaram por soar repetitivas entre si, abordando a temáticas parecidas seguidamente, a artista poderia ter sintetizado os assuntos em menos faixas do que foi utilizado. Por fim, o álbum termina da melhor forma possível ao lado de Asha em \'Redemption Songa\', sendo uma das melhores faixas do álbum, as artistas trouxeram uma miscelânea de referências acerca da cultura indiana, os versos da canção exalam inteligência através de metáforas bem construídas e um olhar sensível à cultura indiana, tocando o ouvinte e fechando o álbum de forma diferenciada e, ainda assim, coesa. Quanto aos visuais, eles são simples, polidos e se relacionam com a temática do álbum, entretanto, a narrativa do álbum é cheia de referências à cultura da artista e ao fenômeno do eclipse, esta parte do projeto deveria ter aparecido dentre o encarte. Por fim, Heccy impressiona com seu debut na indústria da música, trazendo um conceito criativo e inovador, a artista prova ter vindo com objetivo de enriquecer à indústria com suas canções e histórias inteligentes. COMPOSIÇÃO: 26 / CRIATIVIDADE: 26 / COESÃO: 22 / VISUAL: 16

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Dentro do comando da sua perspectiva, Heccy se sobressai entre as novas imagens da indústria e se posiciona como um grande elo para ficarmos atentos. Com o tão esperado ‘Eclipse’, a artista mostra não sua excelência em oferecer frescor e inovação a música, mas também inteligência em poder parafrasear histórias milenares, personagens divinos com a modernidade e sua atual concepção. Permitindo que pessoas leigas conseguissem compreender de fato o que foi a relação entre Parvati e Shiva, Heccy conceitua uma história de amor usando o fenômeno do eclipse como base do projeto, dando o pontapé inicial com a faixa ‘Mysteries’ evocando a atmosfera esotérica e enigmática do álbum perfeitamente, damos créditos ao segundo verso e ao refrão que entregam a peça chave para entrarmos dentro desse mundo, o único tópico negativo que temos é a grande repetição do refrão até mesmo na outro que poderia ter sido desenvolvida tão bem quanto os versos. Após isso, somos levados aos grandes momentos do álbum, ‘Never Lied’ e ‘Choices’ se destacam até o meio período do álbum, poderíamos dizer que são faixas incríveis com um lírico atual e com o toque necessário de agressividade em certos versos que enriquecem como um todo, a forma que Heccy usa da paráfrase para relacionar a relação de Pavarti com Shiva dentro de sua narrativa é de bater palmas, levantamos o ponto de que a artista não se perdeu em nenhum momento da coesão do trabalho e apesar de ‘Ungodly Hours’ ser a ‘ok’ do projeto, ainda sim tem algo a acrescentar como um todo. Boas metáforas usadas como em ‘Interpreter’ ‘Eclipse’ e ‘Golden Hour’ conseguem incrementar a composição e a criatividade da artista em tornar o cliché em misterioso e interessante. Com o single ‘Eclipse’, a luz retorna gradativamente ao lírico e levamos em consideração a forma que a artista trouxe esse contexto do álbum fluir como as fases de um eclipse. Noutro instante do álbum, o lírico se desvincula do que atraia o mal e consegue balancear suas emoções com a sua razão estando ciente do caminho que ela passou e das pessoas que teve que enfrentar para que pudesse atingir seu ‘solo sagrado’, outro destaque dentro do álbum é ‘New Direction’ que se encaixa como o estopim para que Pavarti decidisse encontrar suas novas direções e seguir em frente até o encerramento do álbum ‘Golden Hour’ que encaixa perfeitamente como o fechamento de um ciclo. Apesar de ser uma faixa bônus, ‘Redemption Song’ poderia entrar dentro da narrativa com exímio, a faixa é um grito de liberdade e redenção para todos aqueles que se envolvem numa bolha cultural, a canção com Asha exala liberdade, força e sagacidade. Quando vemos ‘Eclipse’ como um todo ficamos boquiaberto com a proposta de Heccy em usar suas cartas na manga para apresentar um novo mundo em seu primeiro projeto, é interessante dizer que o álbum não possui momentos fracos, porque todos eles se encaixam dentro da proposta e querendo ou não, contam uma história e isso é um diferencial dentro da indústria, prender o ouvinte para que conheça sua cultura e relacione o antigo com o moderno, gostaríamos que a artista em seus projetos futuros abusasse de mais rimas que podem formar uma musicalidade para a canção não se tornar entediante – não que seja o caso de alguma faixa do Eclipse, mas deixaria sua composição ainda mais rica. Dentro do visual, destacamos a capa que pode ser definida como uma das mais bonitas dentro do jogo, Heccy conseguiu incorporar a narrativa dentro do encarte perfeitamente, os detalhes como as fases da lua na página de ‘Eclipse’ e a escuridão para a luz durante as páginas enriqueceram o visual como um todo. O efeito de glitter que a artista usufruiu nas margens com o detalhe brilhante é excepcional, com certeza trouxe uma autenticidade para o projeto. Heccy poderia ter usado formas e quadros ao redor das letras para deixar ainda mais singular, mas isso não faz com que perca todo o brilho do projeto. Diante disso, Heccy conseguiu elevar o que poderia cair no cliché e usual em uma das obras mais interessantes do ano 6 e que a artista consiga colher inúmeros frutos com esse projeto merecedor. COMPOSIÇÃO: 25 / CRIATIVIDADE: 28 / COESÃO: 20 / VISUAL: 25