AllMusic 90
De maneira inesperada, Colen lança seu sexto álbum de estúdio, o obscuro "Black Portrait". Acompanhado por 10 faixas que mesclam Dark Pop, Dance e Alternative, Colen coloca um holofote em todos os seus sentimentos congelados, expondo sua pele quase nua em uma coleção de mágoas, infelicidades e romances perdidos. O álbum tem início com a faixa "Something to Dance For". Colen remói seus sentimentos e memórias de alguém que era especial, mas a deixou. A construção aparenta ser simples, porém a cantora mascara uma profundidade em suas palavras. A ânsia por ser vista e amada pela única pessoa que passa por sua cabeça é a mensagem desta canção. A segunda faixa da tracklist, "Pure Heroine", é brutal e agressiva. Colen relembra uma amizade falsa, onde a outra pessoa sugava suas energias e acabou traindo sua confiança. É uma letra caótica e bastante literal, o que não diminui o brilho de sua lírica. "Damn True" é puro sentimentalismo e é muito impactante e bonito ver como a cantora conduz a narrativa nesta faixa. Ela constrói uma dança melódica, com rimas e frases de ótima construção. Porém, o refrão arrebata tudo ao entregar o clímax de emoções carregadas por Colen. O eu lírico se entrelaça com o da primeira faixa. Aqui, Colen se sente errada ao sair com outras pessoas, até projetando seu antigo amor em outros rostos, na esperança de que ele retorne um dia. A forma como essa história é contada prende o ouvinte e o aproxima da narrativa. Em "What Hasn't Happened Yet", Colen revisita os passos de seu relacionamento anterior, percebendo que talvez as coisas não estivessem tão satisfatórias como ela pensava. A faixa é bem escrita, mas algo a deixa flutuando entre sentimentos tão próximos e parecidos. A faixa seguinte, "Scene Hostage", explora mais profundamente a raiva de uma vida estagnada. A cantora descreve momentos de colapso em decorrência de várias dificuldades que estão presentes nas camadas profundas desta letra. A canção segue o estilo das outras faixas, incorporando sentimentos fortes em letras que fogem do convencional. Colen incorpora seu lado ácido e vingativo em "Knife Edge". A canção serve como um grande desabafo em relação a uma pessoa que só a derruba e é extremamente rude com ela. Colen assume seu lado sombrio e diz tudo o que estava guardado em seu peito. A canção é bem escrita, mas carece de alguns detalhes e maior profundidade, sendo o ponto fraco da tracklist. "Ruptures" transforma o rompimento de laços em arte emotiva. A faixa supera todas as anteriores em refinamento. Colen discorre sobre uma amizade que não pode mais seguir adiante, onde a cantora se sente sufocada por problemas que não são seus. A profundidade desta letra, explorando ambos os lados da moeda, a torna o grande ponto alto deste projeto. Seguindo a narrativa da última faixa, "Marlboro" mostra o desenrolar dessa amizade que apenas sugava o eu lírico. Colen torna mais clara aqui as atitudes da pessoa que a traiu, expondo como ela usou de falsa vulnerabilidade para manipular os fatos. A faixa utiliza metáforas que enriquecem a narrativa e mostram o potencial da cantora como contadora de histórias. "Bet It Breaks" alterna o cenário do álbum ao abordar o lado de uma pessoa que apenas usa a outra e sente prazer nisso. A cantora entra na mente dessa pessoa e utiliza formas emocionais para conduzi-la. No entanto, tudo isso era fictício e seu verdadeiro sentimento é revelado na ponte, um forte e emocionante paralelo de sentir-se usado. A faixa tem uma construção interessante e consegue manter o fôlego em meio a tantas letras que formam um nó na garganta. Colen encerra o disco com a poderosa "For Your Entertainment", lançando todas as verdades que estavam guardadas, esperando o momento certo para serem ditas. A cantora aborda como seu talento é julgado por uma sociedade que apenas foca em números e posições. É a cartada final, e Colen mais uma vez se destaca pela maneira como retrata sua raiva e tristeza. O visual é simples, mas muito elegante, incorporando fotos em preto e branco com uma tipografia serifada. A própria cantora, também produtora do álbum, consegue transmitir a mensagem das letras através dos elementos visuais do encarte. "Black Portrait" é mais uma obra-prima para a discografia da cantora canadense, elevando seu patamar artístico e provando que não são necessários grandes números e visuais extremamente elaborados para construir complexidade e profundidade em um majestoso álbum que conta sua narrativa pessoal.

Spin 75
"Black Portrait" é uma exploração do amor, da perda e da introspecção. O álbum oferece uma variedade de faixas, onde algumas se destacam de forma positiva, enquanto outras não alcançam o mesmo nível. Essa combinação cria uma experiência mista, proporcionando aos ouvintes uma gama diversificada de emoções e reflexões. A produção e a composição variam em qualidade, resultando em momentos tanto memoráveis quanto menos impactantes, deixando uma impressão ambivalente. “Something to Dance For” entrega uma experiência introspectiva que se destaca pela sua vulnerabilidade e lirismo envolvente. Desde a introdução falada, o ouvinte é levado para um mundo de ruas desertas e um frio penetrante que serve como metáfora para o vazio emocional. A jornada continua com versos que desnudam a alma, onde o eu-lírico se abre para estranhos, buscando um conforto que sabe ser inalcançável. “Pure Heroine” é uma obra-prima lírica que mergulha nas profundezas da complexidade emocional e das relações humanas. A música abre com uma metáfora poderosa, comparando uma relação intensa a “diamantes lapidados” e a mistura de whisky com morfina, estabelecendo um tom de beleza frágil e destruição iminente. “Damn True” apresenta uma narrativa familiar sobre amor e saudade, com algumas imagens poéticas que se destacam, mas no geral, permanece dentro de um território emocional seguro. É uma canção que pode ressoar com aqueles que apreciam histórias de amor não correspondido, mas não se destaca de maneira marcante dentro do álbum. “Knife Edge” é uma tentativa falha de abordar temas de conflito e traição. Em vez de fornecer uma visão introspectiva ou emocionalmente ressonante, a música se perde em sua própria agressividade e falta de profundidade, resultando em uma experiência pouco memorável e decepcionante. “Marlboro” é uma faixa brilhantemente escrita que capta a essência da dor de uma traição profunda. As letras são carregadas de metáforas vívidas e uma honestidade brutal, tornando-a uma peça destacada em “Black Portrait” que certamente ressoará com qualquer um que já experimentou a amarga sensação de ser traído. “For Your Entertainment” é uma faixa poderosa que aborda a pressão e a superficialidade da indústria da música com franqueza e emoção. Enquanto a mensagem é clara e ressonante, a repetição de certos temas pode parecer excessiva. O visual do álbum é simplório. Ao explorar o álbum mais profundamente, percebe-se que as expectativas criadas por Colen não são completamente atendidas. “Black Portrait” é um álbum que oscila entre momentos de brilhantismo e outros de decepção. Há faixas que se destacam pela sua qualidade excepcional e pela lírica envolvente, onde os arranjos exuberantes e a produção dinâmica criam uma experiência auditiva memorável. No entanto, também há momentos em que a produção do álbum parece falhar em alcançar seu potencial, deixando uma sensação de falta de inspiração e originalidade.
TIME 86
Optando por mais um caminho atípico no desenvolvimento de sua carreira, Colen lança seu sexto álbum de estúdio, intitulado “Black Portrait”, sem uma estratégia prévia de divulgação como singles e antecipação gerada, motivada pelo estado catártico em que a artista se encontrava durante o processo de composição do disco, conforme ilustrado em seu encarte visual. “Something to Dance For” abre os trabalhos de compreensão lírica do álbum se apresentando como a faixa que mais destoa do resto do conteúdo, focando nas sensações mais saudosistas de um relacionamento que deixa Colen em um estado abaixo da graça por não saber como seguir em frente após o fim. O ouvinte entende a aflição nos versos de forma clara e a imersão despretensiosa nos temas do álbum se inicia de forma efetiva. “Pure Heroine”, segunda canção da tracklist, compara a sensação de se desvencilhar de uma relação platônica - ou seja, não necessariamente romântica - a um processo de se desintoxicar de uma droga igualmente ilícita, devido aos vícios acostumados e atrelados a uma pessoa que mudou sua personalidade de forma quase que irreconhecível para a compositora. É uma canção afiada, mas ainda bastante sensível aos acontecimentos que relata, sendo esse seu ponto mais forte. “Damn True”, canção de número três, acompanha Colen durante os primeiros passos após um término, e isso inclui começar a sair com outras pessoas na busca de seguir com a própria vida, mesmo quando ela ainda sente que deve algo ao seu antigo parceiro ou que deve esperar que ele volte para ela naturalmente antes de se permitir qualquer outro tipo de relação. O sentimento, além de genuíno e fácil do público se identificar, é descrito aqui de forma direta, mas ainda bastante específica, e a cantora dá detalhes que permeiam entre o íntimo e o universal de modo eficiente. Em “What Hasn’t Happened Yet”, Colen lamenta intrínsecas consequências do abandono de lealdade e apreço de uma pessoa a quem ela se sentia conectada até os mais altos níveis. Trata-se de uma sequência de socos emocionais que não surtem um efeito tão devastador quanto poderiam pela constatação final de que são temas que a artista já explorou de forma parecida em álbuns anteriores, mas ainda é uma faixa a ser levada em potencial. “Scene Hostage” mescla mais de uma temática no objetivo de colocar Colen em confronto com pessoas e cenários que não a agradam mais, por dentro e por fora; seu refrão é a parte mais impactante, enquanto alguns versos oferecem uma visão interna da artista sobre deixar de ter pena de si mesma ao ver que ninguém mais sente o mesmo. “Knife Edge” é uma demonstração de rancor em direção a uma pessoa próxima da compositora; com as referências e cenas deixadas pelos versos, o ouvinte é levado a acreditar que trata-se de uma pessoa próxima de Colen dentro da própria indústria musical, prometendo devolver a ele todas as acusações, quebras de confiança e trapaças que ela aponta em riste para o interlocutor da faixa. “Ruptures” cava uma vulnerabilidade emocional ainda não vista dentro do álbum; aqui, Colen decide se afastar de uma amizade onde o outro lado da relação, imerso demais em seus pensamentos mais depressivos, não percebe o quanto a cantora se encontra esgotada de lidar constantemente com ele. Apesar da mudança no tom que a cantora se porta, não soa como uma faixa fora de ordem dentro da progressão que o CD tem oferecido ao público até aqui, sendo uma adição bem-vinda à narrativa. “Marlboro” retoma as sensações de paranoia de Colen em relação à quebra de confiança com uma pessoa relacionada às faixas anteriores dessa segunda metade do álbum; apesar do tema já ser familiar dentro da coesão do projeto, é apresentado justamente com um fator mais delirante na psique da artista, sendo um ponto de vista interessante. “Bet It Breaks” referencia mais das faixas anteriores enquanto reverte esse ponto de vista há pouco explorado; Colen se coloca no lugar da outra pessoa da relação cuja confiança foi quebrada, e explora os pensamentos que ele pode ter tido enquanto enganava ela mesma com promessas de lealdade e amizade eterna. É uma das faixas mais bem construídas do álbum e que poderia ser trabalhada como single para uma imersão maior no conceito referido. “For Your Entertainment” é a canção que encerra o álbum; Colen trata a faixa final como um manifesto onde ela decide que a constante pressão pelo sucesso não é mais algo que ela quer perseguir para si mesma, critica quem o faz e finaliza sua letra com o desejo de não precisar mais explicar suas decisões. É uma música enigmática, ainda que seja a mais direta de todas apresentadas no CD, o que diz muito sobre seu resultado apresentado. Visualmente, “Black Portrait” é produzido somente pela própria Colen, como em todos os seus álbuns lançados até o momento; a simplicidade da tipografia é complementada pela escolha dos tons mais sóbrios das cores branca, preta e verde, junto a escolhas fotográficas que representem o modo como a artista se sente como uma sobrevivente das emoções retratadas. Ainda que o resultado visual tenha o potencial de ser ainda mais grandioso, é apresentado da forma mais humanizada que a produtora e compositora consegue, sensação esta que é vista no álbum como um todo: Colen em sua forma mais crua, não refinada, mas sem o objetivo de ser.

The Boston Globe 95
Em seu sexto álbum de estúdio, Colen mergulha novamente no Pop junto a vertentes do Eletrônico e Alternativo, em 10 faixas sem participações especiais e produção própria. A primeira faixa é “Something to Dance For”, canção que fala, basicamente, sobre resgatar memórias de alguém que o eu-lírico teve sentimentos muito intensos, resumir o sentimento do amor sentido dedicando para essa pessoa essa canção em si. É uma faixa que parte o coração, sendo muito regada por dor e por falta de reconhecimento dessa outra parte, além de falta de conformismo do eu-lírico. “Pure Heroine” é um Pop-Dance regado por dor e muito sentimentalismo, com versos afiados e um refrão com uma ponta de melodrama quase que essencial para a faixa funcionar muito bem como funciona. É excelente. “Damn True” aborda o sentimento de estar saindo com outras pessoas depois de uma ruptura intensa, e essa faixa em específico parece mesclar o sensual com o trágico e doloroso. É uma faixa cheia de camadas, e todas elas estão bem alinhadas. “What Hasn't Happened Yet” traz um sentimento de desordem e raiva diante uma pessoa que o eu-lírico se relacionou. A faixa é, como outras do disco, muito intensa, sendo uma canção focada em seus versos que são carregados de fúria e de um sentimento bem azedo. É um grande destaque. “Scene Hostage”, nas palavras de Colen, 'é sobre eu me sentir refém da vida de alguma forma, como se qualquer passo que eu desse fosse o meu último.’, e a faixa realmente traz isso, principalmente nas linhas ‘tudo o que mais odeio está profundamente enraizado em mim/não há ninguém para culpar, somente eu mesma’. É uma canção que entrega excelência. “Knife Edge” é a parte materializada de uma pessoa que persegue Colen, que a tenta fazer se sentir miserável. Mas aqui, a artista canadense não quer e não vai ser moldada ou domada a nada ou ninguém. É uma faixa que se destaca pela sua expressividade. “Ruptures” é o momento quando uma amizade já não se sustenta mais, principalmente pelos dramas e dores da outra pessoa envolvida. É uma canção muito afiada e sincera, que se destaca principalmente em seu segundo verso. “Marlboro” é diretamente ligada a anterior, e aborda a quebra de confiança entre duas pessoas pelos erros de outra. É uma faixa muito bem estruturada e composta, sendo mais um grande destaque no projeto. “Bet It Breakes” é um destaque, aqui falando da dissonância dos sentimentos entre duas pessoas. Os versos são muito bem construídos. “For Your Entertainment” finaliza o disco criticando quem cobra números e picos de Colen, sendo uma faixa mais uma vez afiada e com um enfoque em atear fogo em toda essa narrativa cansativa. O visual, produzido por Colen, é muito bonito e bem editado, com fotografias sensuais e edições agradáveis com a sua tipografia. Num geral, “Black Portrait” é o magnum opus de Colen, que consegue mesclar sentimentos tão fortes num trabalho sólido e sincero.

Rolling Stone 89
“Black Portrait” é lançado como sexto álbum de estúdio da cantora-compositora e produtora canadense, Colen. O projeto conta com 10 faixas, essas que passeiam pelos gêneros principais Pop, Eletronic e Alternative. Colen descreve, por meio de entrevista para a BBC RADIO, que o seu novo disco é, em suas palavras, “simples, sincero e minimalista”. O novo álbum da cantora canadense aborda memórias indesejadas, as relacionando com fotografias, especificamente as polaroids, essas que permanecem inicialmente em preto antes de serem reveladas, com isso, a artista diz querer que “[…] algumas dessas memórias eu preferia que ficassem apenas nesse estado preto, obscuro e sem vida.” “Something to Dance For” é um destaque lírico do projeto, a canção que aborda sobre a falta de seu parceiro e a perda dos sentidos da vida, é uma faixa sincera e muito bem elaborada, com versos muito bem construídos, com destaque para a ponte, a qual contém a excepcional linha — “Se amar é a ruína, estarei fadado ao declínio até o dia da minha morte” — que demonstra a habilidade lírica de Colen ao converter suas âncoras em canções que transmitem de forma clara toda a sinceridade da narrativa e do sentimento. “What Hasn't Happened Yet” é mais um destaque do álbum, a faixa que retrata um eu-lírico perdido em meio a tanta bagunça e a sua percepção do caos que se deixou tornar a sua vida por outro alguém, com um sentimento de confusão por não saber como recomeçar e reerguer uma vida ao que era antes do desastre amoroso, nesta faixa, Colen trouxe a sensação de se sentir como a única que teve algo a perder de toda a história. “Ruptures” é uma faixa que traz consigo um teor de egoísmo por sobrevivência, um sentimento de culpa mas que há alívio a certo ponto. A faixa é realmente sobre a ruptura de um laço com alguém que tinha grande amizade, mas que, por motivos maiores, acabava puxando o eu-lírico para o seu abismo obscuro, mesmo após as tentativas de recuperar alguém que restou perdido, aqui, o eu-lírico se prioriza, por mais difícil que seja romper um laço importante, reconhece não poder se deixar afundar por questões externas, apesar de tudo, conserva o bom sentimento pelo indivíduo. O disco é visualmente agradável e condiz com o proposto, há uma boa escolha de fotografias, paleta e edição visual, cumpre o que é necessário para transparecer a sua sinceridade e simplicidade. Em conclusão, “Black Portrait” é um projeto que demonstra as habilidades líricas de Colen, assim como sua sutileza para a elaboração de um projeto, nos surpreende positivamente pela qualidade geral que entrega e, com certeza, solidifica ainda mais a artista como um grande nome da indústria. O álbum que mistura uma diversidade de sensações que conversam entre si, por meio de faixas bem elaboraras, é uma experiência interessante ao ouvinte. Por meio da “simplicidade”, Colen nos entrega um dos melhores lançamentos do ano.

Variety 89
“Black Portrait” é lançado como sexto álbum de estúdio da cantora-compositora e produtora canadense, Colen. O projeto conta com 10 faixas, essas que passeiam pelos gêneros principais Pop, Eletronic e Alternative. Colen descreve, por meio de entrevista para a BBC RADIO, que o seu novo disco é, em suas palavras, “simples, sincero e minimalista”. O novo álbum da cantora canadense aborda memórias indesejadas, as relacionando com fotografias, especificamente as polaroids, essas que permanecem inicialmente em preto antes de serem reveladas, com isso, a artista diz querer que “[…] algumas dessas memórias eu preferia que ficassem apenas nesse estado preto, obscuro e sem vida.” “Something to Dance For” é um destaque lírico do projeto, a canção que aborda sobre a falta de seu parceiro e a perda dos sentidos da vida, é uma faixa sincera e muito bem elaborada, com versos muito bem construídos, com destaque para a ponte, a qual contém a excepcional linha — “Se amar é a ruína, estarei fadado ao declínio até o dia da minha morte” — que demonstra a habilidade lírica de Colen ao converter suas âncoras em canções que transmitem de forma clara toda a sinceridade da narrativa e do sentimento. “What Hasn't Happened Yet” é mais um destaque do álbum, a faixa que retrata um eu-lírico perdido em meio a tanta bagunça e a sua percepção do caos que se deixou tornar a sua vida por outro alguém, com um sentimento de confusão por não saber como recomeçar e reerguer uma vida ao que era antes do desastre amoroso, nesta faixa, Colen trouxe a sensação de se sentir como a única que teve algo a perder de toda a história. “Ruptures” é uma faixa que traz consigo um teor de egoísmo por sobrevivência, um sentimento de culpa mas que há alívio a certo ponto. A faixa é realmente sobre a ruptura de um laço com alguém que tinha grande amizade, mas que, por motivos maiores, acabava puxando o eu-lírico para o seu abismo obscuro, mesmo após as tentativas de recuperar alguém que restou perdido, aqui, o eu-lírico se prioriza, por mais difícil que seja romper um laço importante, reconhece não poder se deixar afundar por questões externas, apesar de tudo, conserva o bom sentimento pelo indivíduo. O disco é visualmente agradável e condiz com o proposto, há uma boa escolha de fotografias, paleta e edição visual, cumpre o que é necessário para transparecer a sua sinceridade e simplicidade. Em conclusão, “Black Portrait” é um projeto que demonstra as habilidades líricas de Colen, assim como sua sutileza para a elaboração de um projeto, nos surpreende positivamente pela qualidade geral que entrega e, com certeza, solidifica ainda mais a artista como um grande nome da indústria. O álbum que mistura uma diversidade de sensações que conversam entre si, por meio de faixas bem elaboraras, é uma experiência interessante ao ouvinte. Por meio da “simplicidade”, Colen nos entrega um dos melhores lançamentos do ano.

Variety 96
A cantora, produtora e compositora canadense Colen, nos apresenta “Black Portrait”, seu sexto álbum de estúdio. O disco contém 10 faixas que são embaladas por gêneros alternativos, hip-hop, synthpop e new wave. O conceito do disco é intrigante e interessante, e por isso o compilado levou esse título. Colen associa suas memórias as fotos polaroid, onde essas fotos logo depois de serem capturadas, saem completamente pretas e aos poucos elas começam a surgir no papel impresso. Essa analogia se forma pelo desejo que a artista tem sobre algumas memórias, onde ela preferia que essas memórias ficassem apenas nesse estado de completo blackout, sem emergir em seus pensamentos. A faixa que abre o compilado é intitulada “Something to Dance For”. A canção pelas palavras da própria artista é a única lembrança boa destas que ela queria esquecer. É uma fabulosa canção de amor, um grito alto de uma paixão que ainda você vive, mas não pode ser aproveitada. A faixa tem uma lírica muito bem colocada e uma paixão expressada da melhor forma possível, uma grande canção e um absurdo início de álbum. “Pure Heroine” tem uma lírica sincera e um tanto quanto ácida, Colen canta sobre o descontentamento que beira na relação de um grande amigo. Amigo esse que ela considerava um grande irmão, assim nunca imaginando que talvez estivesse errada sobre ele. É uma ótima canção, onde a artista mostra como sabe dosar a acidez que a raiva traz em um desabafo carregado de decepção. “Damn True” nos entrega versos bem feitos e que nos fazem se conectar com a história, já que muitas pessoas que ainda ama o seu ex companheiro (a) tendem a sentir esse questionamento que se torna um conflito interno. Colen, traz o sentimento de traição que não deveria existir depois de um término, com versos inteligentes a artista exprime o quanto se sente lesada ao ficar presa nessa tola sensação de que ficando com uma nova pessoa está errando com o seu ex amor. “What Hasn't Happened Yet” é aquela canção que retrata quando uma pessoa acorda e percebe o quanto sua vida se encontra desalinhada por causa de um relacionamento, onde a pessoa analisa tudo que se submeteu para continuar com aquela pessoa e entende que não valeu a pena. O tema abordado aqui é clichê, muitos artistas trazem isso em suas canções de descontentamento amoroso, mas a canadense consegue fugir de escolhas óbvias e entregar uma canção interessante. “Scene Hostage” é uma canção intrigante e super interessante dentro do compilado, podemos perceber que aqui temos diversos assuntos envolvidos e mesmo assim todos levam o eu lírico ao mesmo fim, a mesma visão e sentimento sobre os seus dias. A ponte da canção é um dos pontos altos da canção, sendo uma escolha inteligente para um futuro single. “Knife Edge” conversa com “Pure Heroine”, mas desta vez além de se decepcionar com uma amizade, o eu lírico sofre ataques diretos de pessoas que ele tanto admirava. Fazendo ele se magoar tanto, que ele se mostra o escroto e vilão que tantos esses amigos o enquadravam. Nessa faixa, a artista não dosa a quantidade de acidez como na faixa comparada a “Knife Edge” acima, ele abre espaço para uma lírica raivosa. O refrão é um deleite, nos fazendo rezar para encontrarmos essa Colen em mais faixas que estão por vir. Em “Ruptures” o eu lírico expressa uma decepção consigo próprio, por não ter aguentado ficar mais tempo ao lado de um grande amigo que passava por problemas psicológicos. O eu lírico em seus versos descreve que aquilo também estava o adoecendo e optou por se afastar para seu bem próprio, e mesmo que isso fosse o mais sensato a se fazer, o eu lírico vive um sentimento de culpa, se colocando como um péssimo amigo. A canção é emotiva e muito bonita, são lindos os versos em que o eu lírico se despede de seu grande amigo, mas reza, torcendo que os anjos o faça melhorar fazendo a sua vida muito feliz, é uma carta aberta para seu grande amigo de forma crua e verdadeira. A melhor faixa do compilado até esse momento. “Marlboro” novamente traz uma traição de uma amizade, mas desta vez ligada diretamente a situação da faixa anterior “Raptures”. Onde o suposto amigo distorce toda a situação e motivo do afastamento do eu lírico com o amigo que passa por problemas, transformando o eu lírico em um verdadeiro monstro que aterroriza todos com seu egoísmo. Aqui a compositora faz uma metáfora com o cigarro Marlboro, adjetivando o seu amigo infiel e suas ações. Mais uma vez a canadense mostra o motivo da sua bela reputação como compositora, e mesmo sendo a terceira música que fala sobre decepção em seu círculo de amizade, a artista entrega algo interessante que nos faz querer ouvir mais dez músicas sobre o mesmo tema, já que cada canção nos mostra camadas diferentes, não a levando ao erro da repetição monótona de faixas. “Bet It Breaks” é uma canção melancólica onde se retrata o sentimento de fracasso vivenciado pelo eu lírico ao não conseguir se desprender do que tanto te machuca e te faz mal. A canção se destaca por ter sido escrita como um diálogo da pessoa com o eu lírico o respondendo na ponte, isso foi muito interessante. A canção que finaliza o álbum é “For Your Entertainment”. É sobre como Colen se sente no cenário atual da indústria musical. Em versos com uma dose equilibrada de acidez, a artista explana como hoje em dia as pessoas só se importam com os números, e não com a qualidade de uma boa canção. Ela resume o tanto de sentimentos mistos que obteve com essa pressão que a indústria coloca sob os artistas, e consequentemente sob ela, em que se você não se esforça para alcançar o topo por mais que seu trabalho esteja impecável ele será descartado e reduzido a uma total perca de tempo. É uma canção ousada, genuína e certeira finalizando o álbum com grande nível, casando com a qualidade das faixas anteriores. O visual assinado pela própria artista é simples, mas muito bem feito e polido. Transformando o simples em luxuoso, casando perfeitamente com a ideia do álbum. Em resumo, sem fazer nenhum alarde e sem essa pressão sobre alcançar o topo como a própria artista canta em sua última canção do disco, Colen entrega um dos melhores álbuns do ano e da sua carreira, em um misto de emoção, acidez, descontentamento, sinceridade e raiva dentro de canções obscuras nos deixando surpresos com tamanho brilhantismo encoberto por uma casca de simplicidade.
All Music 81
Colen apresenta seu novo disco, "Black Portrait", uma fusão de experiências catastróficas com inteligência emocional, resultando em um novo começo e uma nova perspectiva. Trata-se de um trabalho intimista que sugere uma mudança drástica na carreira da artista. No entanto, isso não é uma novidade, pois Colen vem moldando essa expectativa há alguns álbuns. A faixa de abertura, "Something to Dance For," surpreende. É uma música que quebra expectativas, pois Colen criou uma marca com letras extensas que, com o tempo, acabaram prejudicando-a. Aqui, ela demonstra que menos pode ser mais. "Pure Heroine" mantém a característica concisa da anterior, com um ótimo refrão, mas se perde em versos dispersos e sem a emoção necessária para torná-la grandiosa. "Damn True" possui alguns deslizes; a letra às vezes parece pitoresca, com rimas previsíveis que deixam o ouvinte desejando algo mais confiante. "What Hasn't Happened Yet" transmite mais segurança, com versos que se aprofundam gradualmente nos sentimentos descritos pela artista. "Scene Hostage" é, definitivamente, a melhor faixa do álbum, com versos coesos que tocam o ouvinte de maneira clara e profunda, algo que Colen não havia alcançado em outras canções citadas. "Knife Edge" é caricata, provavelmente devido ao seu teor agressivo, que transforma a música em uma caricatura dos sentimentos da artista, no pior sentido da palavra. "Ruptures" narra com êxito o dilema de Colen ao se sentir obrigada a deixar uma amizade de longa data. "Marlboro" é impactante, com uma metáfora divertida que se encaixa bem no contexto do álbum, consolidando-se como um dos destaques positivos. Não irei criticar Colen pelas temáticas parecerem, muitas vezes, similares, mas sim por deixar algumas histórias se enrolarem, resultando em uma incógnita sobre qual relação ela está tratando exatamente - rupturas de amizade ou de amores? Talvez ambos! Mas, não fica palpável e nem fácil de teorizar cenários do que pode estar acontecendo. Acredito que falta clareza na expressão do conjunto como um todo. "Bet It Breaks" oferece um vislumbre da finalidade do disco, levantando questões sobre a função de algumas faixas já apresentadas. No entanto, é uma canção morna, sem muito polimento, que parece precisar de tempo para amadurecer. A última faixa, "For Your Entertainment," encerra o álbum de maneira mista. Assim como "Knife Edge," acaba sendo um pouco caricata, como se não se levasse tão a sério, apesar da descrição não sugerir exatamente isso. O visual é básico e se sustenta. A capa é definitivamente a melhor parte, confesso que ela cria expectativas para o restante do encarte, que certamente não são cumpridas. Apesar de suas imperfeições, "Black Portrait" é um trabalho que merece atenção, pois reflete a coragem de Colen em explorar suas emoções e experiências de maneira honesta. A artista demonstra uma evolução em sua habilidade de concisão lírica, ainda que nem todas as faixas atinjam o mesmo nível de profundidade e conexão emocional. Embora a consistência temática e a clareza narrativa possam ser aprimoradas, "Black Portrait" está longe de ser uma catástrofe. É um disco que, mesmo não sendo perfeito, marca um capítulo significativo na carreira da artista, mostrando sua determinação em se expor e crescer através de sua música.
Los Angeles Times 76
O lançamento 'quase-surpresa' do álbum de Colen, "Black Portrait", é uma jornada tumultuada pelo amor, pela perda e pela introspecção. Enquanto algumas faixas são brilhantes, outras falham, deixando os ouvintes com uma mistura de emoções e experiências. O álbum começa com "Something to Dance For", uma homenagem cativante ao amor do passado que imediatamente chama a atenção com seu charme nostálgico. Os vocais de Colen se elevam, transmitindo sem esforço a profundidade da emoção por trás de cada letra. É uma faixa de destaque que estabelece um alto padrão para o que está por vir. "Pure Heroine" segue o exemplo com sua honestidade crua e exploração pungente da desilusão. A justaposição de esperança e decepção é palpável, tornando-a um dos momentos mais fortes do álbum. No entanto, "Damn True" não consegue atingir o mesmo nível, com suas letras simplistas e produção pouco inspirada, ficando aquém das expectativas. É um tropeço decepcionante em uma formação promissora. Felizmente, faixas como "What Hasn't Happened Yet" e "Scene Hostage" redimem o álbum com suas letras introspectivas e melodias evocativas. Essas músicas demonstram a capacidade de Colen de criar narrativas convincentes que ressoam profundamente com os ouvintes. No entanto, "Knife Edge" tem dificuldade em deixar uma impressão duradoura, pois sua narrativa sem brilho não consegue capturar totalmente o peso emocional dos destaques anteriores. "Ruptures" e "Marlboro" oferecem momentos de vulnerabilidade crua, abordando temas de traição e confiança abalada. Essas faixas são fortes, deixando um impacto duradouro muito tempo depois que a música desaparece. Infelizmente, "Bet It Breaks" não consegue manter o ritmo, sendo excessivamente simplista e se sentindo deslocada em meio às ofertas mais sutis do álbum. À medida que o álbum se aproxima do fim, "For Your Entertainment" serve como uma conclusão adequada, incentivando os ouvintes a permanecerem fiéis a si mesmos diante das expectativas da sociedade. É uma mensagem poderosa que une o álbum, deixando uma impressão duradoura, apesar de seus erros ocasionais. Em termos de produção, "Black Portrait" é um misto. Enquanto alguns momentos apresentam qualidade de primeira linha e lirismo atmosférico, outros deixam a desejar. Certos visuais brilham com seus arranjos exuberantes e produção dinâmica, enquanto outros parecem um tanto sem brilho em comparação. No geral, "Black Portrait" é uma sólida adição à discografia de Colen, apresentando momentos de brilhantismo ao lado de erros ocasionais. Embora possa não ser perfeito, o álbum é uma prova do crescimento de Colen como artista e de sua disposição para explorar as complexidades da emoção humana.

American Songwriter 90
"Black Portrait", o sexto álbum de estúdio de Colen, é uma obra que mergulha em atmosferas dark pop e explora uma variedade de gêneros musicais, como alternativo, hip-hop, synthpop e new wave. O conceito por trás do título do álbum, relacionado às memórias que preferimos manter obscuras, adiciona uma camada de profundidade à narrativa lírica do projeto. Colen se destaca por sua abordagem simples, sincera e minimalista neste álbum, destacando a importância das letras, dos ritmos e da expressão genuína na música. A faixa de abertura, "Something to Dance Floor", estabelece um contraste interessante com o restante do álbum, enquanto explora temas de amor e lembranças nostálgicas. "Pure Heroine" e "Damn True" mergulham em emoções complexas de desapontamento e traição, fornecendo uma visão profunda das experiências pessoais da artista. A faixa "What Hasn't Happened Yet" destaca a reflexão sobre os danos causados por relacionamentos passados e a necessidade de enfrentar as consequências dessas experiências. "Scene Hostage" retrata a sensação de estar aprisionado em uma situação caótica, transmitindo a urgência de romper com padrões negativos. A música transmite uma mensagem poderosa sobre a importância de agir para mudar as circunstâncias adversas. "Knife Edge" revela a dor causada por ataques pessoais inesperados, explorando a sensação de traição e auto depreciação. A letra reflete a vulnerabilidade emocional e a luta interna para lidar com essas situações difíceis. "Ruptures" aborda o tema da exaustão emocional em relacionamentos tóxicos, destacando a necessidade de se afastar de pessoas que drenam nossa energia. A música captura a complexidade das relações interpessoais e os desafios de estabelecer limites saudáveis. "Malboro" mergulha na dor da traição e na decepção causada por alguém em quem se confiava profundamente. A faixa revela a cicatriz deixada por essa experiência e a dificuldade de lidar com as consequências emocionais. "Bet It Breaks" explora a dinâmica de poder em relacionamentos desequilibrados, onde um dos lados se sente preso em um ciclo de dor e amor incondicional. A música transmite uma sensação de resignação e tristeza diante da dificuldade de romper com padrões prejudiciais. "For Your Entertainment" encerra o álbum com uma reflexão sobre as pressões do cenário musical atual e as expectativas impostas aos artistas. A canção destaca a importância de manter a autenticidade e o amor pela arte, apesar das demandas externas por sucesso e reconhecimento. No geral, a habilidade de Colen em traduzir suas experiências pessoais em composições emotivas e introspectivas é incrível. O álbum "Black Portrait" é uma jornada emocionalmente intensa e autêntica, que ressoa com temas universais de dor, superação e auto descoberta. Cada música consiste ser uma expressão direta das experiências vividas pela artista, refletindo momentos de raiva, decepção, culpa, traição e descontentamento. A abordagem direta e aberta de Colen nas letras deste álbum adiciona uma camada de autenticidade e vulnerabilidade à sua música, permitindo que os ouvintes se conectem emocionalmente com suas histórias. A produção cuidadosa de autoria da própria complementa efetivamente as letras, criando uma atmosfera coesa em todo o álbum. No geral, "Black Portrait" mostra Colen explorando novas sonoridades e entregando uma narrativa introspectiva. Com sua sinceridade e habilidade em transmitir emoções complexas através da música, a cantora demonstra um amadurecimento artístico significativo neste projeto, se consolidando de vez como uma artista versátil e talentosa.

The Line Of Best Fit 80
Em seu novo álbum de estúdio, Colen aposta em uma narrativa intimista, mas que de certa forma adentra fortemente em seus sentimentos em diversos momentos. O álbum contém uma narrativa forte em seus versos, que peca em alguns momentos pela falta dessa mesma força que trouxe Colen até aqui, mas que no geral consegue ser um álbum liricamente bom. O álbum inicia de forma poética com "Something to Dance For", mostrando uma letra que ao mesmo tempo mostra a melancolia da artista envolta dos seus sentimentos, mas também mostra esperança pelo futuro em seus versos; mas é na chegada do refrão que Colen entrega o ponto alto da canção. Por outro lado, "Pure Heroine" tem um ótimo refrão, mas seus versos acabam perdendo um pouco da qualidade musical. A música é construída de uma forma que seus versos não conectam com o ouvinte, e não transparecem a emoção que a música podia ter passado; talvez versos mais lapidados fosse a solução. "Damn True" é uma música rica em versos coesos que fazem a música fluir de forma crescente, e se destaca como uma das melhores do álbum. "What Hasn't Happened Yet" transmite sentimentos mistos, onde a primeira parte da canção soa rasa e não adentra totalmente na profundidade do sentimento, mas acaba crescendo após o primeiro refrão e a música consegue dar uma guinada na qualidade lírica. "Scene Hostage" se destaca liricamente como a melhor faixa do álbum. A música demonstra de forma crua os sentimentos de Colen em razão da sua própria existência, e como isso lhe condena por dentro. A música cresce a cada verso e principalmente em seu refrão, que chega a ser poético. "Knife Edge" entrega de forma mais intensa uma versão mais agressiva de Colen, que está direcionando todo o seu repúdio a quem lhe fez mal. A canção consegue ter o seu impacto dentro do álbum, e a letra é bastante impiedosa até a chegada do segundo verso da música, que acaba pecando com versos mais "comuns", fazendo a música decair um pouco no que poderia ser entregue. "Ruptures" narra bem sobre o dilema de Colen em relação a se sentir obrigada a deixar de lado uma amizade de longa data. "Marlboro" é impactante e a forma que a artista fez referência do título na música foi bastante inteligente e bem colocada no refrão, pois fez a música ganhar todo o sentido. Todavia, é notável uma sensação de "repetição" na temática das músicas diante a narrativa novamente de alguém ter traído a sua confiança, ou perdido uma amizade por ter uma ruptura, ou pela raiva em "Knife Edge", soa como as últimas três músicas estivessem na mesma atmosfera temática, onde as primeiras também poderiam ser encaixadas nesse dilema de forma mais leve. Na reta final do álbum, "Bet It Breaks" é uma faixa morna que acaba não trazendo um ar sofisticado para a canção. "For Your Entertainment" encerra o álbum de forma coerente, onde Colen expressa em versos bem colocados sua indignação pelas cobranças. A música cresce bastante no seu refrão, e não se perde no restante. Seu visual é gracioso, despretensioso, e talvez um pouco tímido, mas visualmente consegue entregar uma experiência agradável. Sua capa não é extremamente chamativa, ou possui algum tipo de edição marcável, mas a foto selecionada acaba se tornando boa por si só. Em suma, Colen entregou um álbum que contém deslizes líricos que poderiam ter sido melhores explorados para expor seus sentimentos de forma mais intensa, mas existem mais acertos do que erros no "Black Portrait". O álbum mostra uma Colen mais feroz, e ao mesmo tempo mais confusa em relação a sua vida, mas disposta a abrir seu peito para o ouvinte. "Black Portrait" não chega a ser o melhor álbum da artista, mas consegue se destacar na sua carreira pela sinceridade nos seus versos.