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BBC publicou uma avaliação em 21/06/2026: 87
Depois do clima quase messiânico de JESUS IS COMING, a MONI chuta o balde e volta com um projeto muito mais sombrio, íntimo e ambicioso. SAINT RECORDS funciona como uma espiral de autodestruição, vício, paranoia e fama que joga o ouvinte direto no fundo do poço, sem direito a corda para subir. A abertura com “KAWAII VIOLENCE” já dita o ritmo pesado do disco, pintando a dependência química como um monstro que corrói a mente. Sem dar tempo para respirar, “SNRI” puxa o freio para um lado mais melancólico e confessional, transformando tratamentos psiquiátricos e bad trips em um dos momentos mais bonitos e dolorosos do trabalho. O miolo do álbum é onde a coisa fica séria. “BIOHAZARD” liga o foda-se para qualquer tentativa de normalidade, abrindo caminho para a escrita afiada de “AUTOPHILIA”, que destrincha o narcisismo com muita classe. Na sequência, “MUGSHOT” e “OXYMORON” amarram de forma brilhante a neura da exposição pública com a perda de identidade, entregando o bloco mais consistente do projeto. A reta final guarda o topo conceitual do disco. “SAINT ORION” transforma o fundo do poço em uma espécie de êxtase religioso, enquanto “BSOD (Blue Screen of Death)” vem como um soco no estômago ao questionar até que ponto o sofrimento alheio serve de entretenimento para os outros. Para fechar a conta, “REQUIEM” traz um final agridoce e muito humano, deixando de lado o puro pessimismo para abraçar uma aceitação dolorosa da realidade. Musicalmente, a evolução da MONI salta aos olhos. A mistura de techno experimental, industrial e trance cria uma trilha sonora de suspense que funciona super bem. O único porém é que, na segunda metade, a insistência em bater na mesma tecla de colapso e vício deixa o ritmo um pouco arrastado e repetitivo. Ainda assim, a ambição de SAINT RECORDS impressiona. É um álbum que não está aqui para ser música de fundo; ele exige atenção e entrega uma narrativa densa e visual. No fim das contas, o projeto não quer ser acessível ou fofinho. É o retrato cru de quem está tentando sobreviver, equilibrado na corda bamba entre o fascínio pela destruição e a vontade de continuar vivo.

The Guardian publicou uma avaliação em 31/05/2026: 98
SAINT RECORDS marca o retorno de MONI a indústria após longos anos de seu último LP e esse é um álbum que praticamente te arrasta pela mão para dentro de uma noite que parece não ter fim, cheia de excessos, paranoia, dor e momentos de euforia. Nesse segundo disco, MONI entrega uma história completa, daquelas que te fazem mergulhar de cabeça no universo da artista. Desde KAWAII VIOLENCE, a gente percebe que a viagem não vai ser tranquila. A faixa já chega pesada, intensa e caótica, mostrando uma personagem consumida pelos próprios demônios. E o mais impressionante é como tudo parece fazer parte de um grande quebra-cabeça. Nada está ali por acaso. Conforme o álbum avança, músicas como SNRI, BIOHAZARD e EMERGENCY! mostram uma artista sem medo de expor suas feridas. MONI fala sobre vícios, crises, remédios, sexo, fama e solidão de uma forma muito crua, mas ao mesmo tempo extremamente artística tornando a obra desconfortável e fascinante ao mesmo tempo. A parte central do disco é um verdadeiro mergulho na autodestruição: AUTOPHILIA e MUGSHOT mostram uma personagem cada vez mais perdida dentro de si mesma, enquanto o mundo acompanha sua queda como se fosse entretenimento. É pesado, mas é impossível não ficar preso na narrativa. Quando chega em OXYMORON, o clima muda. A loucura ainda está lá, mas agora vem acompanhada de uma grande tristeza. É como se a cantora finalmente olhasse para os próprios destroços e tentasse entender o que sobrou dela. Já em SAINT ORION, tudo ganha uma dimensão quase espiritual, transformando o caos em algo bonito e assustador ao mesmo tempo. Essa é sem dúvidas uma das melhores músicas do projeto. E aí vem BSOD, provavelmente um dos momentos mais fortes do álbum. É quando toda a máquina quebra de vez, quando não existe mais festa, glamour ou fantasia. Só sobra a verdade. Mas o que faz SAINT RECORDS ser tão especial é o jeito que ele termina. REQUIEM não é uma despedida triste. É um recomeço. Depois de passar por tanta dor, a personagem finalmente encontra alguma paz dentro dela mesma. Não porque tudo foi resolvido, mas porque ela aprendeu a continuar existindo apesar de tudo. No fim das contas, SAINT RECORDS é um álbum sobre cair, se perder e tentar se encontrar de novo. É sombrio, intenso, provocador e muito bem construído do começo ao fim. MONI mostra que não tem medo de se expor e transforma suas experiências mais difíceis em arte de verdade. Esse é sem sombra de dúvidas um dos maiores comebacks dos últimos anos.






















































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