HIGH SCHOOL JACOB R&B, Pop, Rock202614 músicas
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Los Angeles Time publicou uma avaliação em 02/08/2026: 87

HIGH SCHOOL antes de qualquer coisa, é um álbum ambicioso. Em seu segundo álbum de estúdio, Jacob nos apresenta uma narrativa relativamente coesa, usando como ponto de partida a escola para fazer uma metáfora com a indústria da música. Sala de aula, corredor, férias e as quadras viram símbolos de amadurecimento, fama, competições e relações. Começamos com “WELCOME”. A faixa tem a função de abrir o universo proposto e funciona muito bem como uma peça de teatro, mas não acho que seja o mesmo como música isolada. Ela cria a atmosfera, mas dificilmente é um momento forte do projeto. Assim que somos apresentados a faixa título do álbum, entendemos imediatamente onde que o projeto ganha força. Na letra vemos que o espaço escolar vira símbolo de poder e influência. As participações ajudam nessa construção, embora Remy C, possa parecer um pouco deslocado dentro da construção, mas, no geral, elas enriquecem a faixa. Embora seja uma faixa interessante, já é possível se deparar com alguns vícios que vão aparecer no restante do disco: a escrita carregada que faz praticamente todo verso parecer definitivo, o que pode impressionar em alguns momentos, mas em outros, deixa a composição mais densa do que o necessário. Na sequência vem “TOUCHDOWN”. Com essa faixa, JACOB ao invés de explorar a crítica à indústria, ele mergulha na perda de uma amizade que é importante para ele, e é justamente aí, quando ele deixa os discursos grandiosos de lado, que sua escrita se mostra realmente convincente. A dor aqui não é um espetáculo, e a força aparece na vulnerabilidade, fazendo de “TOUCHDOWN” uma das melhores do álbum. “SUMMER LOVE / WINTER DESIRE” segue essa sensibilidade, um pouco mais fraca, mas ainda podemos ver um trabalho mais equilibrado. A contradição entre calor e frio funciona bem, mas a letra explica o que já foi dito. As imagens do refrão são lindas, mas em alguns versos, sinto que JACOB precisava confiar mais na interpretação do ouvinte/leitor do que reforçar a ideia. “ANOTHER BOY, ANOTHER MAN” nos apresenta um dos trabalhos mais interessantes do álbum. Nick Diaz não está ali só por estar, sua função na narrativa é muito importante, já que o contraste entre a insegurança do garoto e o homem que segue em frente cria uma conversa linda sobre amadurecer. Essa é a faixa que vemos como JACOB consegue unir conceito e emoção sem exagero. Infelizmente não posso dizer o mesmo sobre “SUPERHERO”. Como proposta, é algo maravilhoso,mas a letra sacrifica a clareza em favor da uma estética teatral demais. Os padrões criados são interessantes, mas alguns versos são muito abstratos e não causam o impacto desejado. A música chama mais atenção pelo que ela quer ser pelo que ele é de fato. Depois de toda tensão criada, “EXCUSE ME A+ GIRL “ é um respiro. Essa homenagem à amizade muda completamente o ar criado até então e cumpre lindamente sua função narrativa. Agora, temos a fase mais estável do álbum. “ WHAT'S HAPPENED IN LAST VACATION?” usa das férias para retratar coisas mais superficiais e relações descartáveis. O ambiente é expressivo e transmite a sensação de excesso e vazio que quer ser retratado. “TEENAGE BULLET OUT OF MY HEAD” é uma das letras mais econômicas do álbum, e não tenta acrescentar metáforas sem fim. A sentença: "Eu me tornei um homem e você continua um adolescente", resume todo conflito de maneira simples e eficaz, sendo um exemplo de como JACOB alcança pontos altíssimos quando confia na força de poucas imagens bem selecionadas. Se alguém tinha dúvidas sobre a capacidade de JACOB como compositor, em “FRIZZY” essa questão é jogada por terra. Essa faixa é o ponto mais alto do disco. A música trás questão racial e pertencimento sem usar discursos didáticos e equilibra denúncia e emoção com extrema maturidade. Petter e Dahlia fazem a música crescer e isso sem fazer da dor um espetáculo. Aqui nada sobra. Tudo está onde deve estar. Esse trabalho exuberante continua em “OH MRS. MADELINE”. O paralelo entre mentora e professor nunca é demais nem artificial. Quando lemos "você costumava dizer: 'preto, você vale a pena”, o álbum se mostra suficientemente sincero, aqui, nenhuma metáfora seria capaz de produzir algo tão belo. É a melhor composição de JACOB até hoje, e isso acontece porque justamente ele deixa de lado a necessidade de escrever algo que seja épico. A honestidade de JACOB agora nos leva a um território mais além. Pontos como isolamento e saúde mental não são glamourizados em “MIDNIGHT ON THE STREET”. ZOE fortalece a sensação de desespero compartilhado, fazendo dessa faixa uma dos momentos mais pesados e emocionantes do disco, inclusive, se partirmos de um princípio mais além, essa é uma daquelas músicas que exige trabalho intenso dos intérpretes para atingir potência vocal máxima. Caminhando para o final, “WHEN THE BELL RINGS” nos leva de volta a amizades perdidas e encerra o ciclo de forma delicada. Mesmo dialogando bem com a faixa 3, ela usa bem o som do sinal como imagem de encerramento de uma fase da vida. Mesmo tendo repetições de imagens de outras músicas, a letra é extremamente sincera, e impede que a faixa seja comprometida. Finalmente, HIGH SCHOOL (REPRISE) encerra o disco olhando para trás. Diferente do que poderia ser esperado, a faixa não é apenas uma reprise, ela demonstra amadurecimento, JACOB não se mostra interessado em vencer a indústria que pertence, mas em entender o que ela deixou nele. É coerente pensar no caminho trilhado, mesmo que deixe o sabor de que a crítica ao sistema se torna uma reflexão pessoal, mudando um pouco o que prometia. HIGH SCHOOL não é um álbum perfeito, mas é um trabalho conceitual sólido, honesto e ambicioso, que demonstra um compositor com identidade clara e amplo espaço para evoluir.