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The Boston Globe publicou uma avaliação em 04/10/2026: 97
O canadense JACOB lança seu aguardado segundo álbum de estúdio, HIGH SCHOOL, projeto no qual expande as bases do R&B, gênero que o projetou, ao fundi-lo a elementos do pop e do rock. Inicialmente, destaca-se a forma como o artista parte de uma premissa aparentemente simples para construir uma reflexão autocrítica sobre a própria trajetória. No trabalho, o ambiente escolar deixa de ser apenas um cenário para funcionar como uma alegoria das dinâmicas e tensões existentes nos bastidores da indústria musical. A construção narrativa ao longo das 14 faixas demonstra maturidade estrutural, principalmente quando o canadense alterna momentos de confronto tensional com espaços de respiro reflexivo. Ao intercalar o ambiente de disputas profissionais com a intimidade das relações afetivas, a obra evita prender-se exclusivamente à clássica crítica demasiada, transmitindo a ideia de uma trajetória moldada por acertos e vulnerabilidades. A exploração de diferentes atmosferas sonoras é outro ponto positivo, mantendo a coesão do universo conceitual mesmo diante de fases sonoras distintas, ainda que, pontualmente, a preservação da estética conceitual se sobressaia em relação à progressão da narrativa, o resultado final equilibra-se com clareza e solidez lírica. Em termos de composição geral, o álbum transita entre a objetividade e o uso de metáforas, evidenciando a precisão do compositor no arranjo dessas abordagens, embora a qualidade das composições permaneça constante ao longo do disco, a força do desenvolvimento das ideias faz com que algumas faixas se sobressaiam no conjunto. Destacam-se “SUPERHERO”, “OH MRS, MADELINE”, “TEENAGE BULLET OUT OF MY HEAD”, “FRIZZY” e “WHAT’S HAPPENED IN LAST VOCATION?”, enquanto momentos como “ANOTHER BOY, ANOTHER MAN” e “TOUCHDOWN” entregam menor impacto na estrutura geral. A dimensão visual complementa a experiência sonora com rigor conceitual. A produção gráfica, amparada por fotografia, edição e tipografia cuidadosas, aprofunda a imersão na história e consolida, sem exageros, a uma das identidades visuais mais sólidas do ano. O HIGH SCHOOL, apesar dos acertos, é um disco imperfeito que comporta contradições e desvios que reforçam sua premissa central. O amadurecimento dentro da indústria envolve o acúmulo de vivências que nem sempre possuem lógica imediata, e ao traçar esse percurso de formação, JACOB demonstra clareza sobre sua identidade artística e sobre aquilo que deve preservar ou abandonar. Mais do que uma simples retrospectiva pessoal, o álbum interpreta o significado de suas experiências, consolidando-se como um dos lançamentos mais instigantes e completos do período.

Spin publicou uma avaliação em 04/10/2026: 90
Em seu segundo álbum, "HIGH SCHOOL", JACOB nos traz uma metáfora bastante realista de como a indústria musical funciona e ainda aproveita para contar sobre suas experiências dentro dela. "WELCOME" introduz bem o tema e mostra que JACOB não tem nenhum pudor em contar essas histórias. Músicas como "HIGH SCHOOL", "SUPERHERO", "WHATS HAPPENED IN THE LAST VACATION?" e "MIDNIGHT ON THE STREET" nos mostram o lado obscuro da indústria musical e como a mesma é cercada por hipocrisia em boa parte do tempo. Cria-se muito a expectativa de sucesso e fama como algo bom, mas JACOB mostra que não é assim que a banda toca. É claro que o álbum não foca apenas na parte ruim da indústria. "EXCUSE ME A+ GIRL" e "OH MRS MADELINE" mostram que mesmo com seu lado sujo, existem pessoas dispostas a ajudar e em quem podemos confiar quando tudo estiver pesado. JACOB também abre espaço no álbum para falar sobre experiências vividas por ele que de início doeram, mas que no fim serviram de experiência. É o caso de "FRIZZY", "TOUCHDOWN", "ANOTHER BOY, ANOTHER MAN" e "TEENAGE BULLET OUT OF MY HEAD", que mostram como o cantor soube reverter todas as dificuldades que enfrentou a seu favor. Enfim, em geral o "HIGH SCHOOL" é um manual de sobrevivência não só da fama, mas da vida. JACOB montou um álbum bem estruturado e que reflete bem a sociedade nos dias atuais. É um álbum bastante coeso do seu próprio jeito. É possível dizer que JACOB trouxe não apenas lições para a vida, mas também um álbum que agrade a todos os públicos.

Variety publicou uma avaliação em 13/09/2026: 97
Seria uma escola de ensino médio o melhor recurso a ser utilizado para fazer uma analogia à uma indústria que tem de tudo para ser inofensiva mas é marcada pelas competições, busca por aceitação, autodestruição e personagens únicos que marcam tal ambiente das formas mais variadas possíveis? JACOB prova que sim, e em seu segundo álbum de estúdio 'HIGH SCHOOL', o cantor canadense utiliza a escola como metáfora para a indústria musical, transformando seus espaços, personagens e dinâmicas em reflexos da própria carreira. O sophomore album (sim, no trocadilho mais escolar possível) já se prova ambicioso desde a sua premissa: uma resposta direta de JACOB ao cenário musical, mas também, uma resposta a si mesmo e todos os questionamentos ao local que ocupa em tal situação. A obra que poderia ficar extremamente circular e repetitiva, encontra nessa narrativa secundária um ponto de escape para o ouvinte, sendo esse um dos principais acertos do projeto, faixas como 'TEENAGE BULLET OUT OF MY HEAD', 'MIDNIGHT ON THE STREET (com ZOE)' e 'FRIZZY (com Dahlia e Petter)' acertam em discorrer sobre narrativas extremamente pessoais sem tirar bruscamente quem as consome do "mundinho" tão bem amarrado de 'HIGH SCHOOL'. Outro ponto alto do projeto é a acidez muito bem dosada — sem deixar de ser precisa — ao tratar de um assunto tão pernicioso quanto a indústria musical, JACOB endereça todas suas mensagens, põe para fora tudo aquilo que incomoda e ainda consegue questionar o sistema sem se tornar inimigo dele (sendo esta uma habilidade extremamente louvavel), essa combinação de fatores torna o disco extremamente corajoso e fiel à essência escolhida pelo cantor, sem o tornar agressivo ou áspero. Muito além da narrativa, a aplicação da estética e atmosfera escolar que é parcialmente dosada no lírico do projeto é o grande suprassumo dos visuais de 'HIGH SCHOOL'. Utilizando da estética (de certo modo óbvia para tal), JACOB apresenta um dos conteúdos visuais mais ricos, detalhados e minuciosamente trabalhados dos últimos tempos, gozando de todos recursos imagéticos possíveis, easter eggs fenomenais, uma fotografia divertida muito bem elaborada, estilizações personalizadas e uma identidade muito bem definida para cada faixa — despertando o interesse para um álbum visual — e sem desgastar a temática, o que prova o valor de arte da obra e o domínio gráfico do canadense, que assina todos os visuais. Em resumo, 'HIGH SCHOOL' se arrisca em ambicionar desde sua premissa aos seus resultados líricos e visuais, mas JACOB prova que fez a lição de casa e passou todas as suas férias estudando, para enfim entregar uma obra formidável.

Los Angeles Time publicou uma avaliação em 02/08/2026: 87
HIGH SCHOOL antes de qualquer coisa, é um álbum ambicioso. Em seu segundo álbum de estúdio, Jacob nos apresenta uma narrativa relativamente coesa, usando como ponto de partida a escola para fazer uma metáfora com a indústria da música. Sala de aula, corredor, férias e as quadras viram símbolos de amadurecimento, fama, competições e relações. Começamos com “WELCOME”. A faixa tem a função de abrir o universo proposto e funciona muito bem como uma peça de teatro, mas não acho que seja o mesmo como música isolada. Ela cria a atmosfera, mas dificilmente é um momento forte do projeto. Assim que somos apresentados a faixa título do álbum, entendemos imediatamente onde que o projeto ganha força. Na letra vemos que o espaço escolar vira símbolo de poder e influência. As participações ajudam nessa construção, embora Remy C, possa parecer um pouco deslocado dentro da construção, mas, no geral, elas enriquecem a faixa. Embora seja uma faixa interessante, já é possível se deparar com alguns vícios que vão aparecer no restante do disco: a escrita carregada que faz praticamente todo verso parecer definitivo, o que pode impressionar em alguns momentos, mas em outros, deixa a composição mais densa do que o necessário. Na sequência vem “TOUCHDOWN”. Com essa faixa, JACOB ao invés de explorar a crítica à indústria, ele mergulha na perda de uma amizade que é importante para ele, e é justamente aí, quando ele deixa os discursos grandiosos de lado, que sua escrita se mostra realmente convincente. A dor aqui não é um espetáculo, e a força aparece na vulnerabilidade, fazendo de “TOUCHDOWN” uma das melhores do álbum. “SUMMER LOVE / WINTER DESIRE” segue essa sensibilidade, um pouco mais fraca, mas ainda podemos ver um trabalho mais equilibrado. A contradição entre calor e frio funciona bem, mas a letra explica o que já foi dito. As imagens do refrão são lindas, mas em alguns versos, sinto que JACOB precisava confiar mais na interpretação do ouvinte/leitor do que reforçar a ideia. “ANOTHER BOY, ANOTHER MAN” nos apresenta um dos trabalhos mais interessantes do álbum. Nick Diaz não está ali só por estar, sua função na narrativa é muito importante, já que o contraste entre a insegurança do garoto e o homem que segue em frente cria uma conversa linda sobre amadurecer. Essa é a faixa que vemos como JACOB consegue unir conceito e emoção sem exagero. Infelizmente não posso dizer o mesmo sobre “SUPERHERO”. Como proposta, é algo maravilhoso,mas a letra sacrifica a clareza em favor da uma estética teatral demais. Os padrões criados são interessantes, mas alguns versos são muito abstratos e não causam o impacto desejado. A música chama mais atenção pelo que ela quer ser pelo que ele é de fato. Depois de toda tensão criada, “EXCUSE ME A+ GIRL “ é um respiro. Essa homenagem à amizade muda completamente o ar criado até então e cumpre lindamente sua função narrativa. Agora, temos a fase mais estável do álbum. “ WHAT'S HAPPENED IN LAST VACATION?” usa das férias para retratar coisas mais superficiais e relações descartáveis. O ambiente é expressivo e transmite a sensação de excesso e vazio que quer ser retratado. “TEENAGE BULLET OUT OF MY HEAD” é uma das letras mais econômicas do álbum, e não tenta acrescentar metáforas sem fim. A sentença: "Eu me tornei um homem e você continua um adolescente", resume todo conflito de maneira simples e eficaz, sendo um exemplo de como JACOB alcança pontos altíssimos quando confia na força de poucas imagens bem selecionadas. Se alguém tinha dúvidas sobre a capacidade de JACOB como compositor, em “FRIZZY” essa questão é jogada por terra. Essa faixa é o ponto mais alto do disco. A música trás questão racial e pertencimento sem usar discursos didáticos e equilibra denúncia e emoção com extrema maturidade. Petter e Dahlia fazem a música crescer e isso sem fazer da dor um espetáculo. Aqui nada sobra. Tudo está onde deve estar. Esse trabalho exuberante continua em “OH MRS. MADELINE”. O paralelo entre mentora e professor nunca é demais nem artificial. Quando lemos "você costumava dizer: 'preto, você vale a pena”, o álbum se mostra suficientemente sincero, aqui, nenhuma metáfora seria capaz de produzir algo tão belo. É a melhor composição de JACOB até hoje, e isso acontece porque justamente ele deixa de lado a necessidade de escrever algo que seja épico. A honestidade de JACOB agora nos leva a um território mais além. Pontos como isolamento e saúde mental não são glamourizados em “MIDNIGHT ON THE STREET”. ZOE fortalece a sensação de desespero compartilhado, fazendo dessa faixa uma dos momentos mais pesados e emocionantes do disco, inclusive, se partirmos de um princípio mais além, essa é uma daquelas músicas que exige trabalho intenso dos intérpretes para atingir potência vocal máxima. Caminhando para o final, “WHEN THE BELL RINGS” nos leva de volta a amizades perdidas e encerra o ciclo de forma delicada. Mesmo dialogando bem com a faixa 3, ela usa bem o som do sinal como imagem de encerramento de uma fase da vida. Mesmo tendo repetições de imagens de outras músicas, a letra é extremamente sincera, e impede que a faixa seja comprometida. Finalmente, HIGH SCHOOL (REPRISE) encerra o disco olhando para trás. Diferente do que poderia ser esperado, a faixa não é apenas uma reprise, ela demonstra amadurecimento, JACOB não se mostra interessado em vencer a indústria que pertence, mas em entender o que ela deixou nele. É coerente pensar no caminho trilhado, mesmo que deixe o sabor de que a crítica ao sistema se torna uma reflexão pessoal, mudando um pouco o que prometia. HIGH SCHOOL não é um álbum perfeito, mas é um trabalho conceitual sólido, honesto e ambicioso, que demonstra um compositor com identidade clara e amplo espaço para evoluir.
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