Schizophonic Alex Fleming Dance, Pop, Outro202613 músicas
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slant publicou uma avaliação em 30/08/2026: 92

Schizophonic é um álbum que se sustenta principalmente pela sua identidade e pela evolução emocional de Alex Fleming ao longo das faixas. À primeira vista, parece um trabalho sobre liberdade, sexo, fama e uma nova fase artística; conforme avança, porém, o disco se revela muito mais melancólico e reflexivo, falando sobre culpa, relações destruídas, desgaste e a dificuldade de continuar sendo a pessoa que os outros esperam. Impression e Schizophonic estabelecem muito bem essa ideia de renascimento. Alex aparece mais confiante, provocador e disposto a mudar completamente a própria imagem. Só que Potential começa a desmontar essa segurança ao falar sobre potencial desperdiçado, insegurança e fracasso. É uma das faixas que melhor mostram que o “novo Alex” não nasceu completamente resolvido. Falling e Physical levam o disco para o campo do desejo, mas Physical é especialmente interessante porque transforma sexo em memória. A música não fala apenas sobre atração, mas sobre como uma experiência do passado continua presente no corpo e na imaginação. É provocativa, mas existe vulnerabilidade por trás dela. California e Heresy representam o lado mais agressivo do álbum. São músicas de confronto, ironia e ego, em que Alex parece transformar ressentimento em espetáculo. Funcionam muito bem para a construção da persona, embora sejam justamente as faixas em que o excesso proposital pode, em alguns momentos, ofuscar a profundidade que aparece no restante do disco. A partir de Hollywood, Schizophonic fica mais interessante. “Amigos viram inimigos num piscar de olhos” resume uma das principais feridas do álbum: a dificuldade de distinguir afeto verdadeiro de interesse. In-Between aprofunda isso ao mostrar alguém sendo percebido apenas quando está vulnerável ou quando existe alguma utilidade em sua presença. Mas, New York é um dos grandes momentos do disco justamente porque Alex admite: “fui eu quem estragou tudo”. Essa responsabilização impede que o álbum vire apenas uma coleção de acusações. Existe culpa, arrependimento e ainda existe amor. Achilles leva essa emoção ainda mais longe ao transformar uma relação perdida em uma tragédia quase mitológica, com uma das declarações mais bonitas do projeto: “Eu sempre serei o seu Pátroclo, você sempre será o meu Aquiles.” Happy Ending funciona como uma espécie de constatação amarga: talvez algumas histórias simplesmente não tenham o final desejado. E Ivory Tower encerra essa trajetória de maneira muito coerente. Depois de tantas músicas falando sobre ser visto, desejado, reconhecido e atacado, Alex finalmente deseja distância. “Deixei para trás o meu ego e os meus amigos, todos os troféus e os fãs” é praticamente a conclusão de todo o álbum. O maior mérito de Schizophonic é justamente essa transformação. O disco começa com alguém dizendo que um novo homem nasceu e termina com alguém cansado de tudo aquilo que precisou ser para sobreviver. Ele começa buscando atenção e termina buscando paz. Nem todas as músicas têm a mesma força, e algumas ideias acabam se repetindo, principalmente na primeira metade. Ainda assim, o álbum encontra seus melhores momentos quando abandona a provocação e deixa Alex simplesmente admitir que está machucado, arrependido ou perdido. Um álbum muito bom, com conceito, personalidade e uma trajetória emocional bastante clara. Não considero uma obra perfeita, mas considero Schizophonic um trabalho que consegue ir além da estética de “renascimento” e revelar algo mais interessante: o preço emocional de tentar se reinventar enquanto o mundo continua cobrando a versão antiga de você



AllMusic publicou uma avaliação em 30/08/2026: 90

Schizophonic é o último disco de Alex Fleming lançado sobre o selo da WMG, com uma sonoridade parecida com o que o cantor naturalmente lança, se expõe de forma recorrente. O disco mistura Dance, Dance/Pop e influências Groovy anos 2000. O álbum é um convite a entender por onde andou Alex nos últimos tempos, depois de uma grande e massiva chuva de críticas ao seu último álbum. Como todo cantor, é natural que ele coloque isso pra fora de alguma forma, é a arte saindo de seu corpo na forma mais pura, e no final das contas, todos são um pouco agressivos quando se trata da indústria e sua maldade disfarçada de "conselhos". Nessa review, vamos analisar suas composições e produção visual/arranjo técnico e vocal. Quando pensamos num álbum "Dance", logo nos vem a mente algo que podemos dançar a noite toda e criticamente falando, não se preocupar muito com a questão lírica de onde o trabalho anda seguindo; aqui é diferente quando passamos de faixa por faixa. Não acho o ideal fazemos uma "track by track" neste álbum e sim pontuar seus altos e baixos. As tracks que mais chamam atenção são: "Physical", "Califórnia", "Hollywood" e "Achilles". Já as que deixam o álbum mais "morno" são: "Happy Ending" e "In-Between". Quando a gente usa o termo "morno" não é algo ruim, só não é algo espetacular. E chega um ponto que numa carreira com muito o que dançar, fica sem o olhar de novo para um possível horizonte. Passando pelas faixas que são notavelmente muito, mas muito boas, podemos ver uma evolução lírica e produtiva de Alex, é quase como um colírio para tanta coisa sem graça que outros artistas andam lançando, um verdadeiro deslumbre do que o artista pode alcançar com seu potencial máximo. "Physical" é de longe a faixa mais interessante e astuta, ela não promete muito, ela não tem um grande significado e é exatamente por isso que ela se destaca, ela tem algo novo, um ar muito sensual e único de Alex, a produção conta com a ajuda de Tainy, o que eleva a canção com maestria. Ela pode até ser algo não tão intimista, mas que revelação magnífica de Fleming nesse projeto. O projeto conta com a ajuda de Julie, Noan, Tammy e Colen e MOE, de longe o melhor time que Alex poderia montar para um álbum vívido, cativante e avassalador. O visual é bem o rosto de Fleming e Tammy acerta em cheio na produção, principalmente do banner, que dá toda a vida ao projeto. Os compositores são certeiros e deixam a marca mais bela e adequada ao projeto, com um grande A+ para a ajuda de Julie Welt na faixa "Heresy"! Quanto às outras 3 faixas citadas como um acerto enorme, "Achilles" é uma para ficarmos de olho, facilmente pode ser a fan favorite para um futuro próximo: é sentimental, é gentil e muito emotiva, e ele consegue encaixar o "Pop" de forma magnífica e muito aberta, é de fato uma carta aberta à um processo difícil para o cantor."I just sometimes wish I'm/ buried with your ashes,/So we can love each other,/So we can fall in love again" é uma frase de se apaixonar e morrer de dó pelo que foi transmitido. Um verdadeiro ato de coragem para um homem em uma indústria viril e negacionista. Já as faixas que poderiam ter sido melhores, não atrapalham a execução e final do trabalho como um todo, apenas estão ali, vagando, talvez um remix nelas caiam bem. O projeto é muito honesto e de longe um dos melhores de Fleming, talvez a gota final restante do que poderia ser um álbum perfeito ficou preso no que Alex já é acostumado a fazer e decidiu manter, queremos ver você totalmente despido de amarras Alex Fleming, por enquanto, vamos dançar bastante com o "Schizophonic" por aqui!


E caso você não curta muito áudios feitos com plataformas de IA, pode ouvir essa: